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Filme: A Grande Aposta (resenha)

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Título: A Grande Aposta (The Big Short)
direção: Adam McKay;
roteiro: Charles Randolph, Adam McKay (baseado no livro The Big Short, de Michael Lewis);
elenco: Chrstian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt .
ano: 2015; duração: 130 minutos; país: EUA;
gênero: comédia, biografia;

A BOLHA IMOBILIÁRIA E COMO ELA (NÃO) FOI PREVISTA

 

“You know what I hate about fucking banking?
It reduces people to numbers.

 

Indicado a cinco estatuetas nesta edicão do Oscar, A Grande Aposta é um daqueles filmes que você assiste, pensa que entendeu tudo, mas no fim você perdeu metade dos diálogos e, mesmo assim, o final te choca, mesmo que você já saiba como ele vai ser.

Além do prêmio de melhor filme, também estão indicados Christian Bale como melhor ator coadjuvante, Adam McKay como melhor diretor e Charles Randolph e Adam McKay por melhor roteiro adaptado, além de melhor edição, por Hank Corwin. Na opinião de quem acha que pode opinar, as indicações são todas bastante pertinentes.

A Grande Aposta, baseado no livro de mesmo nome do autor Michael Lewis, divaga sobre a bolha imobiliária que estourou nos Estados Unidos da América, entre os anos de 2007 e 2008. (Faço uma pausa aqui para dizer que não me atreverei a entrar em detalhes sobre todas as questões econômicas que permeiam o filme, porque são muitas, mas tentarei simplificar ao máximo a partir do que eu entendi. E espero que não seja um desastre.) Basicamente, desde o final dos anos de 1970, a economia dos EUA tem como base as hipotecas pagas pelos cidadãos americanos donos de suas próprias casas, hipotecas essas que lhes garantem o bem adquirido. Por muito tempo isso deu certo e, como sabemos, a economia estadunidense sempre foi a mais forte de todo o mundo. Tópicos econômicos são de difícil discussão, mas nós, pobres mortais, sabemos que o funcionamento das bolsas de valores são a base de especulações e previsões de lucro, dano, queda e alta. Dentro desse pacote econômico básico, as especulações em cima do mercado imobiliário nos anos de 1990 e início dos 2000 chegaram a um nível tão alto que ninguém ousaria apostar contra, já que tudo era extremamente estável e nenhum cidadão sensato e de bem duvidaria de que tudo acabaria em crise.

thebig_3baleÉ então que primeiro entra Michael Burry (Christian Bale). Burry é um excêntrico, diretor de um fundo de investimento (hedge fund, que é uma empresa que capta o recurso de investidores e o aplica em diversos produtos [ações, títulos, derivativos, etc] para diversificar sua carteira de investimentos, protegendo sua posição). Em 2005, ele, um homem que sabe ler números, como ele mesmo diz, descobre que o colapso do mercado imobiliário estadunidense é inevitável. Por suas análises e cálculos, o segundo trimestre de 2007 seria o ápice e a bolha imobiliária estouraria. A partir disso, ele resolve ir a todos os grandes bancos de Wall Street para pedir que eles criem o que, em economiquês é chamado de CDS (Credit Default Swap), que, resumidamente, é uma troca entre o banco e o investidor: o investidor investe, mas o banco precisa garantir a compensação do valor investido em caso de crise e/ou falência, o que proporciona juros e lucro para o banco, também.

Burry vai a vários grandes bancos de investimento e compra mais de um bilhão de dólares em CDS’s. Isso, então, desperta o interesse de um funcionário do banco de investimentos Deutsche Bank, Jared Vennet (Ryan Gosling), que tem um déficit no orçamento que deveria apresentar ao Deutsche e precisa de um meio para cobrir esse déficit e garantir sua estabilidade. thebig_1Vennet estuda as análises de Burry e descobre que, de fato, ele está certo e que a instabilidade do mercado imobiliário é, mesmo, inevitável. A partir disso, ele tenta contato com outras empresas de hedge fund e, por uma ligação errada, acaba entrando em contato com a empresa de Mark Baum (Steve Carell), que, juntamente com seus funcionários, escutam o que Vennet tem a dizer que partem para uma investigação antes de aceitarem o negócio, o que acaba acontecendo.

Paralelamente a isso, dois jovens, que iniciaram sua própria empresa de hedge fund (de investimento bem menor, ainda que com um faturamento bom em um curto período de tempo) Charlie Geller (John Magaro) e Jamie Shipley (Finn Wittrock), também descobrem sobre as previsões de Burry e, com a ajuda de Ben Rickert (Brad Pitt), um ex funcionário do banco de investimentos JP Morgan Chase Bank, descrente no mundo bancário, também passam a investir em CDS’s.

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E, nesses três núcleos paralelos, o roteiro todo se desenvolve muito cheio de conceitos econômicos complicadíssimos, diálogos truncados e comentários muito divertidos em meio a tudo. Mas o que eu considero o mais genial de toda a produção é a maneira com a qual eles tentam deixar os conceitos econômicos um pouco menos complicados aos leigos: pessoas famosas aleatórias, como Anthony Bourdain, Selena Gomez e Margot Robbie são chamados pelo narrador da história (Vennet, personagem de Gosling) a explicarem com situações mais cotidianas a cidadãos normais, sobre que diabos os personagens estão tratando em seus diálogos; algo bastante divertido que rola como “você não entendeu o que significa CDO? Então aqui temos Selena Gomez numa mesa de Black Jack para te explicar”. Isso deixa o filme bastante divertido e muito menos maçante do que ele poderia ser.

As atuações são muito interessantes de observar. Christian Bale interpreta o empresário excêntrico e cheio de razão com excelência; expressões, o modo de dizer, o comportamento do personagem durante toda a história, é tudo excelente e você entende bastante sobre a personalidade de Michael Burry com algumas poucas ações interpretadas por Bale. Por esse motivo acredito muito que sua indicação a Oscar de melhor ator coadjuvante é muito pertinente e justa. Steve Carell me surpreendeu bastante com sua atuação, gostei muito do personagem Baum e o modo com o qual Carell interpretou. É crível e humano, realmente surpreendente.

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O roteiro também foi bem escrito e bem desenvolvido por duas horas e quase vinte de filme, apesar das dificuldades já citadas, e a direção de McKay e os cortes que ele faz são muito interessantes e bem pensados, bem como a edição toda do filme, o que, na minha visão, permite com que todas as indicações de roteiro adaptado, direção e edição sejam muito justas. É um filme todo bastante bem executado.

Classificação: 4 xícaras(4/5)

Particularmente, não é o meu tipo de filme, mas é realmente bom; não é arrastado, muito pelo contrário, é dinâmico e as coisas estão acontecendo o tempo todo, isso faz com que você não perca a paciência por não estar entendendo mais da metade do que eles estão falando, desista e largue o filme no meio. Não acho que assistiria mais uma vez, mas recomendo se você estiver a procura de um filme que fale sobre Wall Street e como funcionam alguns dos investimentos que vivemos nos deparando por aí pela internet e nos jornais.

E só como um complemento rápido, agradeço ao meu irmão, funcionário de um banco de investimentos, que me ajudou a entender alguma coisa do economiquês falado no filme e me ajudou na revisão dos conceitos que eu tentei explicar aqui. Mas que essa tal economia não é de deus, ah, isso ela não é mesmo.

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