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Filme: Ponte dos Espiões (resenha)

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Título: Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
direção: Steven Spielberg; roteiro: Matt Charman, Ethan Coen, Joel Coen;
elenco: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda, Austin Stowell.
ano: 2015; duração: 141 minutos; país: EUA;
gênero: drama, suspense, biografia;

THE STANDING MAN

“It doesn’t matter what others think.
You know what you did.”

 

Concorrente a seis estatuetas no Oscar 2016, incluindo melhor filme, melhor ator coadjuvante, para Mark Rylance e melhor roteiro original, para os irmãos Coen e Matt Charman (e outras três categorias técnicas), Ponte dos Espiões é um filme bom, mas um filme que deixa algo passar.

bridge_rylanceRudolf Abel (Mark Rylance) é um espião da KGB que mora em Nova Iorque e é preso por espionagem  pelo FBI. Abel se recusa a cooperar com o governo estadunidense e, por isso, é colocado a julgamento pelo departamento de justiça dos EUA. Como uma amiga comentou comigo, ele é colocado a julgamento com a condenação já datilografada pelo júri. É então que James B. Donovan (Tom Hanks) entra em cena. Donovan é um advogado novaiorquino que trabalha na área de seguros e tem alguma experiência com lei criminal; ele é escolhido para defender Abel e não vê meios de recusar, depois que seu sócio Thomas Watters Jr. (Alan Alda) lhe diz que ele deve fazer isso por sua pátria. 

Donovan, mesmo sabendo que não vai ganhar a causa, se propõe, então, a defender Abel devidamente, estudando o caso, pedindo mais tempo ao juiz para montar sua defesa, investigando em favor ao seu cliente, o que, naturalmente, não é bem visto nem pelos envolvidos legalmente nem, muito menos, pela população estadunidense, ofendida com as ações de espionagem contra sua liberdade e seu modo de vida.

Não é necessário dizer que Abel é condenado culpado por espionagem e crimes contra cidadãos americanos; Donovan, porém, não desiste, e consegue convencer o juiz de que a sentença de morte não é a melhor das sentenças na situação histórica na qual se encontram. Se eles mandarem executar Abel, o que acontecerá caso um espião da CIA seja pego na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas)? Dariam-lhe o mesmo tratamento que os EUA deram ao espião da KGB? Se eles mantivessem Abel vivo, ele teria a possibilidade de servir como moeda de troca.

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Também não é necessário dizer que isso é exatamente o que acontece e um espião da CIA, o piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) é pego em solo soviético. E, a partir daqui, não seguirei falando sobre o roteiro, pois o clímax do filme se inicia nesse ponto.

Quando disse que Ponte dos Espiões era um filme que deixava algo passar, eu não quis dizer historicamente, claro, porque estou longe de ser uma especialista em Guerra Fria e todos os trâmites que envolveram a história contada, então sequer me atreveria a fazer uma observação desse tipo num post despretensioso. O que quero dizer é que o filme deixa passar algo que poderia tê-lo deixando, pelo menos, umas cinco vezes mais eletrizante e emocionante. Acredito que, como a Guerra Fria mesmo foi, tudo é muito tácito e você nunca tem muita certeza do que está acontecendo e/ou vai acontecer. Acredito que tudo bem você esperar isso de um filme sobre espiões, mas, particularmente, não foi um filme que me empolgou.

O roteiro de Charman e dos irmãos Coen é bom e foi muito bem desenvolvido, bem como as atuações, principalmente a de Rylance, indicado a Oscar de melhor ator coadjuvante com muita justiça e pertinência, com seu personagem sempre muito passivo, calmo, que repete para seu advogado que de nada ajudaria ficar preocupado. Sobre Tom Hanks, comentei com algumas pessoas próximas que sou absolutamente incapaz de não amar todos os seus personagens, e isso acontece com Jim Donovan também. Ele é intrigante e a maneira com a qual ele se envolve com o personagem de Rylance é tocante. Entendo perfeitamente a sua não-indicação, mas acredito que Hanks mandou muito bem mais uma vez.

A representação que Steven Spielberg nos dá de uma Berlim recém dividida parece real e assustadora. Para pessoas como eu, que nasceram após a queda do muro de Berlim, é bastante difícil entender qual era a sensação de uma Europa dividida ou mesmo entender o conceito de Guerra Fria. Estudamos na escola e até lemos e assistimos material extra sobre o assunto, mas entender o que realmente se passava sempre me pareceu bastante complicado. E Ponte dos Espiões me deixa com mais dúvidas, sim, mas também me faz pensar como absolutamente tudo naquela época era assim, silencioso, lento, tenso…

Classificação:  3,5 xícaras (3,5/5)

A classificação que dou é devida a esse “algo que faltou” no filme. São duas horas e vinte de um filme que escorre devagar, sem grandes acontecimentos, papos jurídicos, ação de espionagem como assassinatos e muitas torturas, que, confesso, era o que eu primeiro esperava do filme. É um filme muito bom e eu o recomendo, mas coloco uma tarja de aviso aos que procuram por ação: não é isso que você vai encontrar.

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