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Livro: O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde (vídeo)

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Hoje o vídeo é sobre o incrível O Retrato de Dorian Gray, do talentosíssimo Oscar Wilde. Esse autor estava na lista de 12 autores para 2015.
Explico no vídeo do que se trata esse livro e pontuo algumas questões que julguei relevantes a respeito da obra.
É maravilhosa e atemporal, com certeza será relida em outro momento da vida.

Para não deixar o vídeo mais gigante do que ele já está, resolvi falar da escrita do Oscar Wilde aqui no post, através de alguns quotes do livro, mas de forma breve.

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Quero ressaltar, na verdade, a fluidez da escrita desse autor. Através de uma narração quase poética, Oscar Wilde conseguiu fazer com que as cenas mais terríveis dessa história tivessem um tom muito bonito, fazendo o leitor chegar a admirar o que estava lendo. Em vários momentos questionei minha própria sanidade por achar que aquilo que eu estava lendo era algo bonito e até justificável dentro do que o autor propunha na descrição.

É uma forma de narrar muito descritiva e cheia de referências. Passei a me sentir até mais inteligente a cada cena que trazia novas e mais novas referências, tanto literárias quanto históricas. Oscar Wilde tinha o dom de acrescentar informação e beleza a cada linha que escrevia.

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… Quando o conheci, percebi que não tinha consciência do que era realmente, ou do que realmente podia ser. Havia tanto encanto no senhor, que me senti no dever de dizer-lhe algo a respeito de sua pessoa. Pensei quão trágico seria se o senhor se arruinasse. Pois sua juventude terá tão pouco tempo de vida… tão pouco! As flores vulgares dos campos murcham, mas reflorescem. O laburno estará tão amarelo no próximo mês de junho como agora. Dentro de um mês, a clematite carregar-se-á de estrelas purpúreas, e, de ano em ano, a verde noite de suas folhas ostentará as suas estrelas de púrpura. Nós, porém, jamais revivemos nossa juventude. O arrebatamento de alegria que palpita em nós aos vinte anos vai se enfraquecendo. Os nossos membros se cansam, os nossos sentidos se embotam. Todos nós nos convertemos em fantoches, alucinados pela lembrança das paixões de que tivemos demasiado temor, e das esquisitas, tentações a que não tivemos coragem de ceder. Juventude! Juventude! Não há absolutamente nada no mundo, senão a juventude! (p. 33)

Nesse quote, onde o Sr. Henry provoca Dorian sobre sua juventude, consigo mostrar como o autor se referenciou à juventude e à beleza da juventude. É uma descrição belíssima e que faz refletir, e é apenas um dos primeiros momentos em que isso entra em pauta durante a obra.

 

Estranha sensação de perda apoderou-se dele. Sentiu que Dorian Gray já não seria tão mais seu como antes. A vida se tinha interposto entre eles… Seus olhos melancólicos já não distinguiram o deslumbramento das ruas. Tudo lhe parecia envolto em bruma. Quando o carro parou diante do teatro, teve a sensação de que havia envelhecido alguns anos. (p. 99)

Aqui é quando Basílio Hallward percebe que Dorian não é mais seu. Novamente o autor trás essa referência ao tempo perdido, além de também expressar como Dorian e sua juventude davam algum tipo de sensação jovial a Basílio. Tudo com essa escrita que beira à poesia e torna até uma sensação tão pesada, como a sensação de perda de alguém muito amado, em uma coisa bela de se ler.

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Sim. – continuou Lorde Henry. –, este  é um dos grandes segredos da vida. Hoje em dia, a maioria das pessoas morre de uma espécie de senso comum progressivo, descobrindo, quando já é demasiado tarde, que a única coisa que ninguém nunca deplora são os seus próprios erros. (p. 54)

Esse tipo de reflexão sobre tempo perdido permeia a obra inteira, já que em muitos momentos os personagens se voltam ao passado para lamentar que ele passou. É uma das reflexões que me pegou em cheio nessa história.

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Poucos são aqueles dentre nós que muitas vezes não acordaram antes da aurora, após uma dessas noites sem sonhos, que quase nos tornam enamorados da morte, ou uma dessas noites de horror ou de alegria monstruosa, quando, através dos escaninhos de nossa mente, deslizam fantasmas mais terríveis que a própria realidade, impulsionados por essa vida intensa que se esconde em tudo o que é grotesco e que confere à arte gótica sua vitalidade profunda, uma vez que esta é, como se pode perceber, uma arte de indivíduos cuja mente foi perturbada pela enfermidade da rêverie. (p. 157)

Esse quote não representa nada importante, mas eu quis colocar ele aqui, porque foi minha passagem favorita no livro inteiro. Não é maravilhosa?

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Marvin aprovou com louvor.

 

Avaliação: 5 xicaras(5/5)

 

Indico pra ti. Leia.

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