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Filme: Sniper Americano (resenha)

americansniper

Título: Sniper Americano
direção: Clint Eastwood; roteiro: Jason Hall (baseado no livro “American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Military History” de Chris Kyle, Scott McEwen e Jim DeFelice);
elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Cory Hardrict;
ano: 2014; duração: 132 minutos; país: Estados Unidos;
gênero: drama, biografia

 

 

Americanos sendo… Americanos

 

“I’m willing to meet my creator and
answer for every shot that I took…”

Com seis indicações ao Oscar 2015, entre elas melhor ator, melhor roteiro adaptado, melhor edição, melhor edição de som, melhor mixagem de som e, claro, melhor filme, Sniper Americano chega contando uma história real, mas chega como mais um filme sobre a guerra no Iraque após os atentados de 11 de setembro, sobre o heroísmo estadunidense, sobre a proteção da liberdade, sobre patriotismo e nacionalismo.

Chris Kyle (Bradley Cooper) é um cidadão texano que sonhava em ser cowboy, mas, depois de ver na televisão a cobertura sobre os bombardeios feitos à embaixada norte americana em Nairobi, em 1998, resolve se alistar na Marinha e se tornar um SEAL (Sea, Air, Land Teams), fazendo parte de uma elite das forças armadas dos Estados Unidos.

Kyle é submetido a todo o pesado treinamento militar (aquele lá que a gente sabe que a Demi Moore passou no clássico Até o Limite da Honra) e consegue com toda a sua determinação entrar para o seleto grupo especial da Marinha.

american-sniper-bradley-cooper-sienna-miller1Pouco tempo depois, conhece Taya Renae (Sienna Miller) em um bar; eles conversam e acabam se apaixonando, não demorando muito a se casarem. Até que, em 2001, após os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Kyle é mandado ao Iraque pela primeira vez, deixando Taya grávida do primeiro filho deles.

Uma cena muito chocante é a da primeira morte que Kyle anota em seu longo registro: a de um menino que ia jogar uma granada em direção aos outros soldados que estava na rua. A descrição de toda a cena, acredito, não se faz necessária, mas eu garanto que choca, não apenas pela morte do menino, mas por toda a composição.

Durante seu primeiro turno no Iraque, Kyle ganha o apelido de Lenda por todas as suas habilidades e por ter, só naquele ano, 24 mortes confirmadas na sua conta. Quando volta aos Estados Unidos pela primeira vez, Taya está quase tendo o bebê e Kyle se mostra sempre distante, nervoso o tempo todo. E o restante do filme se foca nas idas e vindas e em como o bravo soldado se torna menos humano e mais e mais distante.

Kyle tem 160 mortes confirmadas pelo ministério de defesa dos Estados Unidos, ainda que se diga que foram mais de 250. Encerrou sua carreira militar e se dizia assombrado não pelas almas das pessoas que matou, mas pelas almas dos soldados que não conseguiu salvar.

Sem entrar muito mais no roteiro, digo que gosto e me interesso muito de filmes sobre esse assunto, ainda que todos saibamos que tudo que se vê ali é só um lado da história (e um lado bastante parcial e que sempre deve ser considerado a uma certa distância), então posso dizer que gostei de assistir Sniper Americano. Gostei mesmo.

AMERICAN SNIPERA atuação de Cooper é muito boa e convincente; o sotaque texano é marcado e toda a montagem da personagem foi muito bem feita. Acredito ser justa sua indicação, ainda que ache que as chances de vitória são mínimas – senão inexistentes.

O roteiro não é brilhante, mas também não é fraco, ainda que seja sobre um dos maiores clichês em filmes desse tipo, que é o herói de guerra. Mas não acredito que seja um grande concorrente ao prêmio de melhor roteiro adaptado.

Apesar de ter gostado do filme, não acredito que ele seja um dos grandes concorrentes da noite e minha avaliação vai um pouco nesse sentido.

Avaliação: 3 xícaras 3/5

Porém é difícil, enquanto falo desse filme, não lembrar de outros dois: Guerra ao Terror (The Hurt Locker, em inglês), de Kathryn Bigelow, estrelando Jeremy Renner, que em 2010 levou o Oscar de melhor filme, e Argo, dirigido e estrelado por Ben Affleck, que em 2013 também levou o Oscar de melhor filme e ambas películas vão, mais ou menos, na mesma direção na qual vai Sniper Americano.

Também há de se levar em consideração que a direção é do sempre maravilhoso Clint Eastwood, mas digo que não ficaria feliz se o filme levasse o maior prêmio da noite e também não acharia de fato justo.

Vamos ter que esperar domingo pra descobrir qual será o verdicto da Academia. Até lá, recomendo Sniper Americano para aqueles que procuram um filme sobre a guerra no Iraque e sobre um soldado que passou pelo que muitos outros passaram, ainda que não tenham a quantidade de mortes que Chris Kyle tinha em seus registros.

 

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