Livros

Livro: O Inverno de Frank Machine (resenha)

2015-01-22 17.54.41

  Titulo: O Inverno de Frank Machine (The Winter of Frank Machine)
Autor: Don Winslow
 Editora: Editora Intrínseca
 Páginas: 347; Ano: 2014 (Lançamento original: 2006); 1ª edição
Gênero: Thriller; ação

 

Fugindo com Frank Machine

 

“- Dê uma boa olhada nesse sujeito. Sabe por que o chamam de ‘a máquina’?
– Não.
– Porque ele é automático.”

 

Como uma aluna do curso de Letras, chega uma hora durante a sua vida de graduanda na qual você não consegue tempo para ler algo que não esteja relacionado ao curso. Clássicos, teoria, Walter Benjamin, Adorno, Candido, russos, franceses, e toda a sua vida gira em torno disso e só disso. E, então, quando você decide dar um respiro, cinco minutos de vida para ler algo que você quer ler e não algo que precisa ler, é um alívio. E eu não poderia ter tido um alívio maior do que tive lendo O Inverno de Frank Machine, de Don Winslow.

Escolhi o livro, a princípio, pela sinopse da quarta capa. Ação, thriller emocionante, “impossível de largar”, e não me arrependi por nenhum segundo. O livro é, realmente, impossivel de largar.

Frank Machianno, ou Frank, o cara das iscas, é um cara tranqulo por volta dos seus sessenta anos que vive em San Diego. Acorda cedo, prepara se café da manhã ao som de ópera, cuida da loja de iscas, surfa durante a “Hora dos Cavalheiros” com sua antiga prancha, cuida do seu negócio de pescados e de tecidos, cuida da ex-mulher Patty, da filha Jill e ainda namora com Donna, ex-dançarina e agora dona de uma loja de roupas femininas. Mas, segundo ele mesmo, dá muito trabalho ser Frank Machianno.

Dá muito trabalho, porque, antes de ser Frank, o cara das iscas, ele era Frank Machine e trabalhava para a máfia italiana, matava pessoas e cuidava de negócios. Frank Machine era temido e virou lenda. Nunca errou um tiro e, se tem uma coisa que você não quer na vida, é ter que encarar Frank. Mas não mais dessa vida vive Frank. Pelo menos não até que tentem matá-lo e ele precise fugir e voltar a ser “A Máquina” e reviver todas as coisas pelas quais passou nos tempos de máfia.

Quando li a descrição de Frank, a primeira imagem que me veio à cabeça foi a de Bruce Willis, ator já bem perto dos sessenta e tão conhecido por seus filmes de ação (e um dos meus atores favoritos, coisa que não tenho vergonha alguma em admitir – inclusive meu eu de 13 anos se orgulha do meu eu de 23 que ainda acha Bruce Willis um cara incrível e o eterno Korben Dallas, de O quinto elemento), então, acompanhar toda a narrativa como se fosse de fato um filme rolando na minha cabeça fez a leitura ficar ainda mais incrível.

A maneira de narrar de Don Winslow é fascinante e enche os olhos, principalmente para amantes de ação; todas as descrições são tão vivas e tão cinematográficas, que você quer mesmo é que caras como Mouse Júnior, Jimmy the Kid e Donnie Garth dancem o mais rápido possível. Você foge com Frank o tempo todo, vive todas as suas emoções e luta junto com ele.

O que mais me impressionou durante a leitura foi a maneira com que Winslow nos deixa entrar na cabeça de Frank e faz longos (bem longos) flashbacks do tempo no qual ele vivia com a máfia e como esses flashbacks fazem Frank montar todo o quebra-cabeça de porque sua vida está em risco e tantas pessoas o querem morto. E, ainda, de como os mesmos flashbacks não fazem com que a narrativa do presente se perca. Como já dito, você vive o inverno de Frank junto com ele.

Vale observar que Don Winslow montou sua carreira de escritor com thrillers como esses. Como não o conhecia, fui pesquisar, e descobri que “A vida e a morte de Bobby Z”, filme de 2007 estrelado pelo falecido Paul Walker, Laurence Fishburne e Olivia Wilde e também “Selvagens”, filme de 2012, com direção de Oliver Stone, foram ambos baseados em obras de Winslow e dão uma boa base para a afirmação de que ele tem, mesmo, uma narrativa cinematográfica.

Se você gosta de ação, não liga para descrições gráficas de violência e sexo e quer uma leitura despretensiosa, mas que te prenda, eu recomendo muito a leitura de O Inverno de Frank Machine. Não é o meu tipo ideal de ficção, mas com certeza me ganhou, ainda que, acredito, alguns possam considerar apenas como uma “ação de filme b”.

Classificação:  4 xícaras4/5

Mas, convenhamos, quem não curte uma ação desse tipo de vez em quando…?

 

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