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Livro: Bruxos e Bruxas (resenha)

Bruxos e BruxasBruxos e Bruxas #1
Título: Bruxos e Bruxas (Witch & Wizard)
Autor: James Patterson e Gabrielle Charbonnet
editora: Novo Conceito
páginas: 286
ano: 2013
Gênero: Fantasia / Young Adult

“Eles tem medo de mudança, e nós precisamos mudar.”

“Eu, a Wisty normal de todo santo dia, sou uma bruxa. Whit, barriga tanquinho, é um bruxo. Não sabemos exatamente como controlar os nossos poderes.” (p. 173)

Não, a frase acima não foi tirada de uma fanfic de comédia escrita por uma iniciante e também não é parte de uma redação de algum aluno de fundamental. O trecho pertence ao livro “Bruxos e Bruxas”, do premiado escritor James Patterson em parceria com Gabrielle Charbonnet. E eu ainda duvidei quando me disseram que eu possivelmente odiaria esse livro.

Se você é fã da saga, nem abra esta resenha. Você só vai se irritar.

Ganhei o livro no fim do ano passado em um amigo secreto e entendo perfeitamente que ele tem toda a estética de um livro que eu poderia gostar. A capa é bem marcante, daquele tipo que você vê uma vez e nunca mais esquece, e o esquema de cores foi muito bem pensado. O mérito da Novo Conceito é inegável na parte física do livro. Além da boa capa, a diagramação interna e escolha de fonte são muito boas e tornam a leitura quase prazerosa. E quase não porque o trabalho não foi bem executado, mas sim porque nem mesmo um bom trabalho editorial conseguiu tornar “Bruxos e Bruxas” uma leitura prazerosa para mim.

Bruxos e Bruxas

A obra narra a história de dois irmãos, Wisty e Whit Allgood, que são arrancados de casa sem explicação alguma, acusados de bruxaria e jogados em uma prisão. O responsável por isso é o governo da Nova Ordem, que acredita que qualquer jovem com menos de 18 anos é suspeito de ter pensamentos conspiratórios. O comandante do governo, chamado de O Único Que É O Único, tem como objetivo abolir tudo o que possa incentivar uma conspiração, ou seja, além da magia, tenta acabar com os livros, a música e a arte, em uma metáfora às censuras que enfrentamos em regimes ditatoriais.

Apesar da metáfora do governo ter sido uma boa ideia e remeter bastante aos enredos distópicos geniais do George Orwell, a execução foi tão pobre que praticamente anulou o mérito da ideia.

A primeira coisa que me incomodou no livro foi a narração. O autor tentou tratar a história do ponto de vista dos protagonistas, com narração em primeira pessoa e de uma forma simples para atingir o público mais jovem, mas acabou por desenvolver todo um livro com narração infantil e inconsistente. Eu não sou muito fã de livros narrados em primeira pessoa, mas acredito que a premissa básica para que uma história narrada dessa forma obtenha um bom resultado é fazer disso uma forma do leitor conhecer melhor a personalidade e os pensamentos do personagem-narrador. E a triste impressão que tive sobre os personagens que James Patterson criou foi a de que eles não têm personalidade alguma.

Bruxos e Bruxas

A criação dos personagens foi muito mal executada na minha opinião. Quando assistimos a um filme e vemos uma interpretação ruim, logo comentamos que o ator não desenvolveu bem o personagem, certo? Neste caso, isso acontece dentro do livro, como se o autor não tivesse tomado tempo para desenvolver como os personagens seriam, o que eu acho um desrespeito enorme com os leitores. Todo mundo lê ficção buscando se identificar com um personagem ou outro dentro da trama e, em “Bruxos e Bruxas”, isso é praticamente impossível, porque não há nada com o que se identificar.

Outra coisa sobre a narração é que ela muda de uma forma assustadora. E não como se o autor quisesse acentuar as diferenças de seus dois personagens principais, que revezam a narração, mas como se cada parte do livro fosse escrita por um autor, cada um com um estilo de narrativa diferente.

Enfim, a quantidade de falhas de criação e elaboração é tão grande que o livro parece ter sido escrito por um autor iniciante. E pior, por um autor iniciante sem nenhuma paixão pelo universo da literatura fantástica. Um autor tão reconhecido e experiente como James Patterson deveria ter consciência disso e respeitar seus leitores criando personagens multifacetados e desenvolvendo mais a narrativa. Eu, sinceramente, não consegui entender o que ele tentou alcançar com esses personagens e com esse enredo, mas eu, como fã do gênero, me senti incrivelmente ofendida por um livro como esse atingir a fama que atingiu enquanto tantos autores menos reconhecidos de fantasia fazem um trabalho excepcional de elaboração de narração e criação de personagens e não recebem metade da atenção por não terem um nome tão forte no ramo quanto James Patterson.

Avaliação: 1 xícara (1 / 5)

Eu não conhecia o trabalho do autor antes de ler “Bruxos e Bruxas” e, sinceramente, depois da leitura, não tenho interesse algum de conhecer mais. Jamais achei que fosse criticar tanto um livro nas resenhas aqui do blog, porque sempre tento achar qualidades e defeitos em todos, mas foi com um sentimento de decepção enorme que me senti obrigada a classificar a leitura com apenas uma xícara. E deixo bem claro aqui que dou uma xícara para não desmerecer o trabalho editorial da Novo Conceito, porque, se dependesse do resto, não daria xícara alguma. Não recomendo.

Bruxos e Bruxas

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