Duelo · Filmes · Livros

Duelo: Dragão Vermelho (livro x filme)

Dragão VermelhoHannibal #1
Título: Dragão Vermelho (Red Dragon)

Autor: Thomas Harris
tradutor: José Sanz
editora: BestBolso
páginas: 381
ano: 2013 (originalmente publicado em 1981)

Dragão VermelhoDireção: Brett Ratner; roteiro: Thomas Harris, Ted Tally;
elenco: Anthony Hopkins, Edward Norton, Ralph Fiennes, Harvey Keitel, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman; Ano: 2002; duração: 124 minutos; país: Estados Unidos, Alemanha.

Gênero: Terror, policial

“Sou o Dragão e o senhor me chama de louco?”

Como acontece com muitos clássicos do terror e suspense – principalmente quando envolvem serial killers -, passei anos ouvindo amigos dizerem que eu precisava ter contato com a trilogia Hannibal, escrita por Thomas Harris. Comprei o box todo de uma vez, confiando que se tanta gente arriscou dizer que eu iria curtir, não teria como dar errado. Recado para todos os amigos que me incentivaram a ler Dragão Vermelho logo: vocês estavam certos demais, eu adorei! E quando eu já estava pronta para escrever a resenha, resolvi ver o filme e a ideia de escrever um duelo comparando as duas obras não me deixou mais em paz.

Dragão Vermelho (2002) é o primeiro livro da trilogia, mas foi o último a ser adaptado para o cinema, depois de O Silêncio dos Inocentes (1991) e Hannibal (2001), respectivamente o segundo e o terceiro volumes na ordem de publicação. Houve sim uma adaptação para o cinema intitulada Caçador de Assassinos, lançada em 1986 e baseada na obra, que mais tarde também foi lançada em vídeo com o título Dragão Vermelho. Vi algumas referências à adaptação de 2002 como um remake dessa versão. Enfim, a cronologia é uma bagunça, mas a história é boa, então vamos falar dela.

Na trama, acompanhamos a investigação para prender um serial killer apelidado pela polícia de “Fada do Dente”, um psicopata que invade residências e mata famílias inteiras. Incapaz de compreender a mente do assassino, Jack Crawford, o encarregado da investigação, chama Will Graham, um agente afastado famoso por ser o responsável pela captura do assassino canibal Hannibal Lecter. Quando Graham tem dificuldades em desvendar os crimes, ele se vê obrigado a consultar Lecter, trazendo de volta antigos medos e traumas.

O vilão de Dragão Vermelho é muito bem elaborado e preenche todos os quesitos básicos de serial killers ficcionais, além de ter algumas facetas extras que impressionam e criam uma forte empatia com o leitor. A ligação entre o psicopata e a obra “O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida com o Sol”, de William Blake, se tornou meu aspecto preferido. Senti que essa ligação dá ao personagem uma aura poderosa, sombria e sensual, que se encaixava muito bem ao contexto.

Dragão Vermelho

Quando escolhi esse livro para ser minha primeira leitura na Maratona Literária #eusoudoideira, queria superar o problema que tive quando comecei a ler e abandonei o livro pela metade no ano passado. Eu odeio abandonar livros e, nesse caso, não teve absolutamente nada a ver com a trama, narração ou os personagens, mas sim com a edição que comprei.

A escrita de Harris é impecável, justamente no estilo que eu gosto. É descritiva, com excelentes diálogos e misteriosa; os personagens são fortes, humanos e multifacetados e a trama é simplesmente genial, mas a edição publicada pela editora BestBolso atrapalha demais a leitura. Em formato pocket, com um papel muito branco e fino, letras miúdas e espaçamento insuficiente, ler essa edição se torna algo desconfortável. O livro, com quase 400 páginas, é mais fino do que livros de 200 páginas em edição convencional que tenho aqui em casa. Você tenta ler, tenta se focar na história, mas a dificuldade da leitura é tanta que me desanimou e muito. Recomendo demais o livro, mas não recomendo que comprem a edição que eu comprei. É a edição mais econômica, mas se eu soubesse que a qualidade deixava tanto a desejar, preferiria ter gastado um pouco mais por uma edição melhor.

Dragão Vermelho

Saindo um pouco do livro para falar do filme, a adaptação ficou excelente.  O diretor Brett Ratner conseguiu passar a intensidade da história para o cinema de uma forma muito satisfatória, conservando alguns diálogos e cenas fazendo alterações mínimas.  A trilha-sonora também me agradou muito e deixou o filme tenso do começo ao fim, algo que Harris faz perfeitamente em sua narração. Enfim, uma adaptação de qualidade para agradar os fervorosos fãs de Dragão Vermelho e da obra de Thomas Harris.

Quanto ao elenco, eu sempre evito falar muito do Anthony Hopkins quando comento filmes dele, porque eu tendo a achar que ele está sempre impecavelmente genial em todos os papéis que interpreta, mas não tem como não comentar a atuação maravilhosa dele como Hannibal Lecter. É um personagem secundário na trama, mas que rouba totalmente a atenção nas cenas em que aparece. Também fiquei impressionada com a interpretação de Ralph Fiennes, que deu vida ao psicopata Francis Dolarhyde, um serial killer com a mesma complexidade e intensidade do Dr. Lecter. Edward Norton, por outro lado, ainda me parece ter o dom de ser um protagonista apático em filmes geniais.

dragão vermelho

Uma coisa que me desagradou no filme tem a ver com as personagens femininas da trama. Tanto Molly Graham quanto Reba McClane, duas mulheres extremamente fortes no livro, perderam o brilho na adaptação e ficaram bem mais ofuscadas pelo elenco masculino. Apesar de boa atuação de Emily Watson como Reba, a independência da personagem foi muito afetada no enredo cinematográfico.

Hora das avaliações!

Livro: 4 xícaras (4 / 5)

Filme: 4 xícaras(4 / 5)

Temos um empate! A história merecia 5 estrelas, então, no desempate, o livro com certeza ganha o nosso duelo, prejudicado aqui pela edição da BestBolso, que eu não podia deixar de considerar na avaliação. Com certeza, Thomas Harris é um mestre na arte de criar psicopatas fictícios e, pela fama de O Silêncio dos Inocentes, espero que o autor ainda me surpreenda e muito com seus personagens.

dragão vermelho

Para quem tem interesse em conhecer melhor os livros, filmes e a série inspirada por Hannibal Lecter, recomendo a série de posts escrita pela Paula Guacelli no Anatomia do Mal, blog da minha amiga Mirian Furtado:

Hannibal, o canibal – parte 1 – Livros
Hannibal – parte 2 – Filmes
Hannibal – parte 3 – Série

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Este livro foi a minha primeira leitura na Maratona Literária #eusoudoideira. Como parte da brincadeira, devemos escolher uma música que ilustre o livro e eu escolhi The Nobodies, do Marilyn Manson, por achar que a música ilustra bem a aura sensual e obscura do protagonista. O que acham?

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