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Livro: A Noite dos Mortos-Vivos / A Volta dos Mortos-Vivos (resenha)

A Noite dos Mortos-VivosTítulo: A Noite dos Mortos-Vivos / A Volta dos Mortos-Vivos
Autor: John Russo
editora: DarkSide Books
páginas: 317
ano: 2014
Gênero: Terror

“Que seu corpo nunca se erga novamente”

Fãs de zumbis, se preparem para uma viagem no tempo! Muito antes de Rick Grimes e seu grupo ganharem fama matando zumbis em The Walking Dead ou de Alice protagonizar cenas surpreendentes de luta contra seres mortos em Resident Evil, outra obra foi responsável por transformar zumbis em uma das criaturas preferidas dos fãs de terror. E se você se interessa tanto por terror quanto por filmes antigos, já sabe que estou falando de A Noite dos Mortos-Vivos, um filme de terror independente dirigido por George Romero em 1968.

E por que eu comecei falando do filme se o assunto da resenha é o livro homônimo escrito por John Russo? Porque depois de conhecer as duas obras, a impressão que mais me marcou foi a de que o filme é extremamente mais impactante do que o livro. Mas vamos por partes.

John Russo, autor da versão “literária” de A Noite dos Mortos-Vivos, foi também roteirista e editor da obra cinematográfica. No livro, publicado pela primeira vez em 1995, quase 30 anos depois da consagração do filme como um marco na história do cinema de terror, Russo nos traz a história que inspirou o filme pioneiro em apocalipse zumbi em um novo modelo.

A Noite dos Mortos-Vivos

Começando com a impactante frase “Pense em todas as pessoas que já viveram e morreram e que nunca mais verão as árvores, a grama ou o sol”, a história se inicia acompanhando os irmãos Bárbara e Johnny em uma viagem de carro para visitar o túmulo de seu pai em um cemitério em outra cidade. Depois de ver seu irmão ser atacado por um homem misterioso, Bárbara corre até uma casa de campo abandonada, onde conhece Ben, outro sobrevivente. Com a casa cercada por figuras humanoides, os dois tentam sobreviver a essa noite de pesadelos e encontrar uma forma de fugir antes que seja tarde demais.

Muitas outras coisas acontecem, mas contei só o básico para não estragar nenhuma das surpresas da história.

Como eu disse no começo do texto, me senti muito mais impactada pelo filme do que pelo livro, apesar de ter me sentido privilegiada por ter conhecido a trama desse clássico de dois modos diferentes. Para os fãs de terror clássico e trash, a leitura é bastante interessante e tem seus pontos fortes, mas tanto a narração de Russo quanto o caminho que os personagens tomam durante a trama não me convenceram tanto quanto eu gostaria. É um bom livro, mas que acabou se tornando apenas uma sombra perto da importância que teve o filme para a caracterização de zumbis no cinema.

A Noite dos Mortos-Vivos

Algo que me agradou muito foi a falta de pudores na liguagem utilizada na narração. O autor não se preocupa em chocar o leitor com descrições que causem algum tipo de nojo ou estranhamento e isso, para mim, ficou claro logo no começo da obra, quando Russo descreve a aparência de seus zumbis:

“Os rostos dos agressores eram rostos de defuntos. A carne estava putrefata e gotejava pus em alguns pontos. Os olhos inchados projetavam-se para fora das órbitas profundas. Tinham a pele pálida, branca como gesso. Moviam-se com dificuldade, como se a força misteriosa que os ressuscitara não tivesse feito um trabalho completo. […]” (p.37)

Outro ponto que me chamou atenção foi o humor negro do autor durante as mortes dos personagens. Se você acha que George Martin faz seus personagens morrerem de formas estúpidas, espere só para ver o que John Russo faz com os dele.

A Volta dos Mortos-Vivos

Se A Volta dos Mortos-Vivos não teve o mesmo impacto que seu antecessor, o enredo deste e a construção dos personagens foram bem mais elaborados.

Em A Volta dos Mortos-Vivos, a trama dá um pulo de 10 anos desde que o primeiro “apocalipse zumbi” veio à tona em A Noite dos Mortos-Vivos. Aqui, a polícia investiga o misterioso grupo que invadiu a cena de um acidente fatal e fincou estacas nos crânios de todas as vítimas por medo que o cenário de terror se repetisse. Quando os zumbis voltam a aparecer, desta vez estão longe de serem os vilões da trama. Aproveitando o caos, grupos de saqueadores e assassinos tomam conta das regiões isoladas e tornam os mortos-vivos meros coadjuvantes em sua própria história de terror.

A Noite dos Mortos-Vivos

Dando muito mais espaço e atenção aos seus personagens e mantendo o humor sádico, o autor criou uma obra bem mais convincente e que funcionou bem melhor no formato livro.

Na carta de apresentação da obra, John Russo explica o que impulsionou a criação de uma sequência e preciso dizer que ele foi muito feliz em conquistar aquilo que buscava com essa nova trama.

“Se os mortos realmente ressuscitassem, e se eles se tornassem devoradores de carne, talvez pudessem ser temporariamente subjugados -, mas tal como uma doença difícil de erradicar, a possibilidade de uma nova ‘peste’ estaria sempre conosco. Cultos religiosos brotariam no rastro dos mortos-vivos. Talvez eles acreditassem que os mortos ainda precisavam ser queimados ou ‘perfurados’ com estacas. E então o que aconteceria? As macabras expectativas do culto se tornariam realidade? Os devoradores de carne voltariam? Essa foi a pergunta que procuramos responder de uma forma poderosamente dramática em nossa continuação. […]” (p. 11)

Quanto à edição da Darkside, mantenho os elogios de sempre: boa diagramação, papel amarelado e grosso, ilustrações e detalhes que tornam o trabalho editorial mais rico, boa revisão e uma ótima tradução feita por Lucas Magdiel. Se algo não me agradou completamente, foi a capa. Sou apaixonada pela capa da edição limitada, mas para a edição clássica – que é a que eu tenho – acredito que a capa poderia ter sido melhor elaborada.

A Noite dos Mortos-Vivos

Avaliação: 3 xícaras (3/5)

Mesmo não entrando na minha lista de favoritos, A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos, de John Russo, são uma visão diferenciada da primeira obra que trouxe zumbis no agora consagrado gênero “apocalipse zumbi” e são leituras enriquecedoras para os fãs do estilo. Recomendo.

“‘Que sua alma descanse em paz.
Que sua alma deixe o corpo.
Que seu corpo permaneça.
Que seu corpo transforme-se em pó, como disse nosso Senhor.
Que seu corpo nunca se erga novamente.
Liberte a alma para os céus e transforme todo o resto em pó.’” (p.175)

A Noite dos Mortos-Vivos

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