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Livro: Prince of Thorns (resenha)

Prince of ThornsTrilogia dos Espinhos #1
Título: Prince of Thorns
Autor: Mark Lawrence
editora: DarkSide Books
páginas: 355
ano: 2013
Gênero: Fantasia dark, ficção medieval

“Por muitíssimo tempo, não estudei nada além de vingança”

“Os espinhos me ensinaram o jogo. Fizeram-me entender o que todos esses homens sérios e carrancudos que lutaram na Guerra Centenária ainda precisam aprender. Você só pode vencer o jogo quando entende que se trata de um jogo. Deixe um homem jogar xadrez e diga a ele que todos os peões são seus amigos. Diga que ambos os bispos são santos. Faça-o lembrar de dias felizes à sombra das torres. Deixe-o amar sua rainha. Veja-o perder tudo.” (p. 33)

Quando me deparei com essa definição de guerra logo nas primeiras páginas da leitura de Prince of Thorns, soube que podia esperar por quase tudo o que gosto em um livro de ficção: um protagonista forte, uma narração detalhada e densa no ponto certo e uma ausência de medo de impressionar. E a obra foi mesmo tudo isso.

A subjetividade e a complexidade da narração de Mark Lawrence foram uma feliz descoberta do começo de 2014. Com uma estrutura de texto intensamente trabalhada aliada a um vocabulário mais “cru”, o autor deu voz a um anti-herói inteligente, multifacetado, cruel e, ao mesmo tempo, bastante carismático e palpável, que foi a alma da trama da primeira à última página. Alguns amigos haviam me indicado a leitura de Prince of Thorns e acabei ouvindo quase as mesmas palavras de todos eles: “tenho certeza de que você vai amar o Jorg”. E eu amei, realmente.

Prince of Thorns

Mark Lawrence nos traz em Prince of Thorns, primeiro livro de sua Trilogia dos Espinhos, o passado e o começo da ascensão do Príncipe Honório Jorg Ancrath, herdeiro do reino de Ancrath, que quando criança foi atirado em meio a um canteiro de roseira-brava por um servo desesperado durante um ataque à família real. Do meio dos espinhos, o jovem príncipe foi obrigado a assistir ao assassinato de sua mãe e de seu irmão mais novo a mando de seu tio, comandante de um reino vizinho. Por jamais perdoar a atitude do pai – que preferiu anular a gravidade do crime em troca de aliança política -, Jorg se alia a uma irmandade de assassinos que mais tarde vem a liderar em busca de sua própria vingança e de alimento para seu ódio.

Para os que – assim como eu – amam fantasias medievais e um clima mais “obscuro”, a leitura de Prince of Thorns não vai decepcionar. A cada parágrafo em meio às narrações incrivelmente carregadas de Mark Lawrence na voz do Príncipe Jorg, eu me sentia em casa. Em momento algum senti que o autor perdeu a linha ou o controle do texto. Jorg Ancrath parecia mais do que apenas um personagem em meio àquela chuva de frases fortes e cheias de efeito. Jorg é, definitivamente, a alma da obra, e sozinho leva o trabalho do autor a um nível surpreendente de criação de personagem.

A atenção dada aos demais personagens da trama é mínima e, mesmo acreditando que os personagens secundários pudessem ter sido melhor trabalhados, entendo por que o autor optou por esse caminho. Apesar do livro descrever uma série de aventuras e problemas enfrentados por Jorg e seu bando, eu diria que se trata de uma obra muito mais introspectiva. Não espere descrições de batalhas a la Tolkien. As principais batalhas de Prince of Thorns são travadas dentro da cabeça de Jorg Ancrath e as palavras são tão bem escolhidas e se encaixam tão bem no texto que eu acabei usando bem mais marcadores coloridos do que estou acostumada para guardar minhas partes preferidas.

Prince of Thorns

Pelo caráter introspectivo da narração, a leitura se torna um pouco densa demais em certos momentos. Não é um livro para ler no ônibus e não é uma trama que permite ser “devorada”. Acabei me dando um tempo maior para ler o livro por conta disso e não me arrependo. Acho que se tentasse correr com a leitura, não teria conseguido compreender bem todos os detalhes apresentados pelo autor e teria achado a história confusa. Se você gosta de leituras leves ou de tramas mais soltas, talvez este não seja um livro para você, mas para os que gostam de cenários apocalípticos e descrições densas, é uma leitura e tanto! Já estou ansiosíssima para ler King of Thorns, segundo título da trilogia.

Prince of Thorns

Só tenho elogios à edição da Darkside: capa dura (não, não é edição especial! Todos os volumes de Prince of Thorns vêm com capa dura!), papel amarelado e grosso, letras em um tamanho bom e bom espaçamento entre linhas, alternância de fontes nos flashbacks, detalhes decorativos… Tudo muito bem executado e com boa tradução e revisão também. Ouço bastante gente comentar que os preços dos livros da Darkside são um pouco salgados e entendo que desembolsar 40 ou 50 reais em um livro é complicado, mas eu acredito que, no caso da Darkside, o preço é bem justificado em cuidado editorial. Quem dera se todos os livros dessa faixa de preço tivessem um trabalho editorial tão bom. Ah! E o livro tem um mapa!

Prince of Thorns

Avaliação: 4 xícaras(4/5)

Resumindo, acabei dando 4 xícaras por acreditar que se trata de uma obra icônica, mas com um público talvez específico demais e que desagrade um pouco os que buscam a leitura esperando um cenário menos reflexivo e de mais ação. Mas não deixem que a introspecção os afastem dessa leitura maravilhosa. Abram o livro e passeiem um pouco na mente e na devassidão do Príncipe Jorg Ancrath.

Prince of Thorns

“‘Uma vida ou dez mil – eu não vejo diferença. É uma conta que eu não consigo entender.’ Pus a espada sobre o pescoço de Elban, desembainhando-a rápido demais para que ele pudesse reagir. ‘Se eu cortar sua cabeça uma vez isso seria menos ruim do que se eu a cortasse de novo, e de novo, e de novo?’” (p. 262)

“‘Entre, Príncipe dos Espinhos, saia de seu esconderijo, venha para o olho da tempestade.’” (p. 278)

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