Livros

Livro: A Mão Esquerda de Deus (resenha)

MEDD

Titulo: A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of God)
Autor: Paul Hoffman
Editora: Suma de Letras
Páginas: 328 Ano: 2010
Tradutor: Fabiano Morais
Gênero: ficção histórica, fantasia, jovem-adulto

 “Mesmo a alma mais fria e cruel tem seus pontos fracos”

 

Esse foi um dos livros que eu comecei a ler na Maratona Literária e que estendi a eternidade por puro desleixo. Mas já terminei há algum tempo e preciso falar dele. Roubei esse livro da minha irmã, ela leu e me disse que era muito bom. Resolvi apostar e não me arrependi.

Cale é um garoto que foi ainda criança para o Santuário dos Redentores e desde sempre sofreu nas mãos de seus mestres. Treinado para batalhas e obrigado a fazer trabalhos pesados, recebendo belas surras diariamente, ele cresceu como um garoto forte e desacreditado, sem qualquer esperança na humanidade. Com seus amigos Henri Embromador e Kleist, ele tem plano de fugir do Santuário dos Redentores, mas nunca executou por medo de ser capturado e torturado até a morte. Um dia, ele descobre algo chocante, que ele jamais havia pensado em ver no Santuário, e acaba agindo impulsivamente. Esse impulso o leva a por seu plano de fuga em prática e ele acaba descobrindo que o mundo, e sua história, é muito maior do que ele imaginava.

Vou ser a primeira a admitir que nunca fui a maior leitora de “lad lit” – literatura pra macho. Narração de guerra é algo que me deixa irritada fácil e algumas partes eu juro que eu pulo, e digo isso sem vergonha. Esse livro é o primeiro de uma trilogia, e por isso não teve muitas cenas de batalhas, é uma apresentação da história, do ambiente e dos personagens. Acredito que os próximos volumes tenham muito mais cenas, mas não posso dizer isso agora. Isso foi algo que me agradou na leitura, o autor soube compor muito bem os personagens, os explorando cada vez mais enquanto apresenta o ambiente.

O personagem principal é Cale, que, mesmo muito jovem, tornou-se uma pessoa fria e desacreditada devido os maus tratos que sofreu nas mãos dos Redentores, em especial de um, o Redentor Bosco. Cale é bastante frio, até seu olhar assusta as pessoas por não transmitir nada, mas no desenrolar dos fatos o leitor acaba percebendo a sensibilidade por trás daquela máscara. O autor vai desmembrando as diversas faces de Cale e o tornando uma pessoa diferente de uma forma gradual e ideal.
Kleist e Henri Embromador são personagens centrais, mas secundários, que estão sempre presentes, mas em função de Cale. Poucas são as cenas que envolvem os dois nas quais Cale não é um dos pontos importantes da situação. Eles são muito mais garotos do que Cale, principalmente Henri Embromador, que é o garoto sorridente e com pensamentos mais lúdicos entre os três. Sua personalidade chega a ser cativante e muito simpática – dentro dos limites que uma vida de sofrimento permite, claro. Já Kleist é exatamente o contrário, ele é totalmente mal humorado e desconfiado, principalmente em relação a Cale, o qual ele se diz não ser amigo (apesar de ser sim). Os dois são extremos e contrapontos interessantes dentro da história, apesar de poder ser certo clichê o amigo rabugento e o amigo feliz, eu achei que funcionou, já que mesmo as personalidades opostas não são planas, pois são muito machucadas pela vida.

Há vários outros personagens a serem citados, como IdrisPukke e Kitty das Lebres, que são duas figuras bastante misteriosas: o primeiro é um ex guerreiro que fez muita coisa errada e tem sua cabeça a prêmio em praticamente o mundo inteiro, e o segundo é uma criatura asquerosa a quem todos temem e que faz acordos sobre guerras. Mas quero citar duas figuras muito importantes para todo o desenrolar do livro: Riba e Arbell. O livro é composto quase em sua totalidade por personagens masculinos, e Riba e Arbell são as únicas mulheres do núcleo central. Não posso falar muito sobre quem são elas para não dar spoiler, mas eu queria destacar o fato de que elas são responsáveis pelas maiores reviravoltas dentro da história, mas mesmo assim não são intimamente exploradas, só o que sabemos é que são mulheres forte e que sabem o tom da própria voz, principalmente Arbell. Acredito que esses personagens não tiveram um grande destaque por ser uma trilogia, onde o autor deve desmembrá-los mais para o leitor no decorrer dos outros dois volumes.

A descrição é direta e simples, mas isso não significa que seja pobre, pelo contrário, algumas cenas fortes de maus tratos sofridos pelos garotos nas mãos dos Redentores são de embrulhar o estômago de verdade. Ele não se atém a detalhes descritivos, mas consegue criar um ambiente completo e contextualizar as situações e os personagens, contando a história deles de maneira breve e destacando aquilo que importava naquelas determinadas situações. Aliás, isso é algo que em alguns momentos soou tirado do bolso na hora, como de repente alguém ser um excelente arqueiro (e ter toda a explicação pra isso, então) no momento em que precisavam de um arqueiro. Ele faz diversas vezes esse tipo de colocação, com um aspecto simbólico que eu identifiquei de grandeza: ele era o mais forte, ela era a mais bonita, ele havia sido o pior assassino, entre outros.

Avaliação: 4 xícaras(4/5)

Tirei uma xícara pelo último ponto citado na resenha. Não posso indicar toda a trilogia, já que li somente esse, mas terminar é algo que eu pretendo, então, recomendo bastante. É um livro ideal para quem procura ficção histórica com uma pitada de fantasia, mas mais voltado para o público jovem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s