Livros

Livro: O Azarão (resenha)

O Azarão 1

Título: O Azarão (The Underdog)
Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 176 Ano: 2012 (original: 1999)
Tradutora: Ana Resende
Gênero: Jovem-adulto (YA)

Sorriu para mim com lábios reais, e a voz real me disse “Oi” quando nos encontramos

 

Há algumas semanas foi postado aqui o Desafio da Maratona Literária, a Mari e a Marina aderiram e fizeram post, mas eu resolvi não fazer, mesmo que estivesse participando. O que acontece: eu ando muito lenta pra ler ultimamente, sabia que não iria cumprir. E não cumpri. O Azarão foi escolhido por ser um livro de um autor que eu gosto muito, curtinho e leve. É o primeiro livro escrito por Markus Zusak, então eu sabia que seria uma leitura muito light e agradável. E realmente foi.

Eu não sou a maior leitora de young adult do mundo atualmente, a maioria me incomoda bastante pela maneira como o romance é tratado e como os personagens principais são idealizados. E O Azarão me surpreendeu positivamente em relação a isso. É um livro curto e, como eu disse, não cria grandes expectativas, mas ele trata o adolescente de uma forma que a maioria dos autores de livro YA não trata: como pessoas comuns.

O Azarão traz Camaron Wolfe como personagem principal e narrador: um garoto de 15 anos, que tem uma vidinha simples e sem muita expectativa. Ele tem 3 irmãos (Steve, Sarah e Ruben) completamente diferentes entre si como é natural. Steve é o mais velho e trabalhador responsável, Sarah, a cabeça oca com um namorado mais cabeça oca ainda, e Ruben é o mais parecido com Cameron, um garoto comum. Ruben e Cameron possuem um passatempo bastante peculiar: planejar pequenos furtos. Planejar realmente, eles nunca chegaram a executar um dos planos. O livro se atém a contar um verão muito importante na vida de Cameron, no qual ele finalmente descobriu o que é se apaixonar. A história narra acontecimentos que qualquer um que tem irmãos irá se identificar, somados ao amor imaginário de Cameron por uma garota real que ele jura que “trataria muito bem”, tudo regado aos sonhos estranhos que Cameron tem todos os dias.

Cameron é um personagem amigável, quase inofensivo, sua vida se baseia em estudar e ser um adolescente. Como se passa durante as férias escolares, temos o dia a dia ocioso do garoto, que tem pensamentos muito interessantes sobre a vida. Ele é apaixonado por garotas reais, o que é muito interessante. No início do livro vemos ele se interessar por uma secretária que, segundo ele, é bonita demais para ser real. Isso logo passa. É aí que entra Rebecca Conlon: uma garota real e inesquecível. Rebecca não é uma personagem presente, o leitor toma conhecimento dela através da imaginação de Cameron, que estabelece um relacionamento totalmente imaginativo, no início.

A narração e as descrições são gostosas de ler, típicas da escrita do Markus. O autor conseguiu mostrar seu estilo em um livro adolescente sem perder suas características, o que foi muito importante pra mim, já que sou apaixonada pela escrita dele. Cameron tem muitos sonhos durante o livro, e eles são descritos ao longo da história, e é através dele que tomamos consciência dos sentimentos e sensações do personagem.

O Azarão 2

O mais interessante desse livro é o fato de ser uma história “real”. A maioria dos livros adolescentes se preocupa em criar personagens metafóricos e superinteressantes, ou pessoas que são normais, mas acabam virando “estrelas”. O Azarão vai na contramão. Ele apresenta uma história que acontece com grande parte dos adolescentes, e exatamente da forma como acontece, principalmente o final (que eu vou falar no fim do post, estejam avisados).

 

Avaliação: 4 xícaras  (4/5)

 

O Azarão é o primeiro livro da Trilogia dos Irmãos Wolfe. Eu ainda não li os demais, mas, por enquanto, estou contente com o primeiro, que valeu sozinho e, por mim, não teria necessidade de continuação. Indico para todo mundo que quer relaxar.

 
 

SPOILER SOBRE O FINAL!!!
Eu gostei demais do fim, achei sensacional como a coisa simplesmente não aconteceu. Os mais apaixonados por romances YA iriam detestar, mas eu achei que o fim encaixou na proposta do livro, que é mostrar como é a vida real. Se a Rebecca tivesse se apaixonado por ele também, perderia o sentido. Assim como, se ela tivesse sido desprezível, também sairia do contexto. A naturalidade como tudo não aconteceu foi o que eu mais gostei. E vocês?

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