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Filme: Philomena (resenha)

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Título: Philomena
Direção: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark
Ano: 2013; duração: 98 min; país: Estados Unidos, Reino Unido, França
Gênero: drama, biografia

“Eu gostaria de saber se ele pensou em mim.”

Na corrida do Oscar há filmes que são mais citados e outros que são um pouco esquecidos pelos espectadores e pelos críticos. Philomena é um desses filmes um pouco esquecidos. Apesar de ter recebido 4 indicações para o Globo de Ouro e 4 indicações para o BAFTA, o filme ganhou só o BAFTA de melhor roteiro adaptado. No Oscar, além de melhor filme, ele concorre também nas categorias de atriz (Judi Dench), roteiro adaptado e trilha sonora.

 

Philomena Lee (Judi Dench) é uma senhora que esconde um segredo há 50 anos: o nascimento de um filho quando era adolescente. Abandonada pelos pais em um convento, ela se viu obrigada a trabalhar todo dia na lavanderia e só podia ver seu filho uma hora por dia. Um dia, infelizmente, ela tem a notícia de que seu filho fora levado do convento por uma família, e nunca mais teve notícias dele. No dia em que seria o aniversário de 50 anos de seu filho perdido, ela resolve revelar esse segredo. É quando seu destino cruza o de Martin Sixsmith (Steve Coogan), um jornalista a pouco demitido da BBC, amargo e desinteressado por “histórias de interesse humano”. Ele, então, resolve escrever um livro contando a história de Philomena e a ajuda na busca por seu filho.

 

Quando assisti ao trailer, eu senti um amor quase instantâneo pelo filme: eu gosto dessas histórias reais de dramas familiares. O filme me pareceu ser sensível e leve, apesar da carga dramática óbvia que o enredo tem. E não me enganei nem um pouco. Philomena é um filme de drama, mas um drama real, de pessoas muito reais.

O filme gira em apenas dois personagens: a Philomena (jovem e velha) e o Martin. Eles são dois opostos absurdos. “Phili” é uma senhora extremamente devota em sua fé em Deus, que acredita no pecado e se culpa por seus próprios pecados. Ao mesmo tempo, ela é uma senhorinha divertida e amigável, que tem como filosofia de vida sempre tratar muito bem todas as pessoas. É impossível não se afeiçoar a ela. Judi Dench desempenhou um papel fenomenal nessa personagem, pois ela tem toda a sensibilidade de uma velhinha amigável, com uma espontaneidade admirável e muitas vezes engraçada, mas com a força de uma mulher que sofreu muito na vida e aprendeu várias lições. Eu não me surpreenderia se a academia a elegesse como melhor atriz.

Steve Coogan, por sua vez, não ficou pra trás nem por um segundo. O homem amargurado, de coração bom, mas quebrado, estava lá o tempo todo. Eu achei isso interessante, já que o filme é uma adaptação do livro escrito pelo próprio Martin. Fiquei me perguntando se isso é evidente no livro. Ele conseguiu deixar o personagem presente o tempo todo, sem roubar ou perder espaço para Phili, e isso é interessante, já que a história contada é sobre a vida da senhora.

Um destaque especial também para Sophie Kennedy Clark, que representou Philomena quando jovem, ainda no convento. Sua atuação é emocionante e real, transmitindo todo o sofrimento da menina, mãe, tendo que viver naquelas condições e sofrendo a perda do filho.

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O BAFTA de roteiro adaptado foi muito merecido, assim com o Oscar seria. Não senti nada faltando, nada que não foi bem contado ou transmitido. Os sentimentos e dúvidas da senhora ficaram o tempo todo evidentes, assim como as passagens de tempo e o desenrolar dos acontecimentos. O roteiro ficou redondinho, com começo, meio e fim bem estruturado. Não vou dar spoiler, mas há um acontecimento ainda no meio do filme, que traz toda a reviravolta na história, e foi colocado no momento certo. Eu fiquei em choque e adorei o resultado, foi surpreendente e original. Parece uma história pensada por alguém, o que é assustador, já que, na verdade, é uma história real.

O filme também traz discussões mais profundas sobre fé, religião, pecado e manipulação. Há uma crítica tanto à falta de fé quanto à fé exagerada. São questões que podem incomodar crentes e ateus, mas são válidas de discussão.

 

Avaliação: 5 xicaras (5/5)

 

A história é pesada, mas contada de forma leve e sem perder a realidade. Philomena faz rir e chorar. E agora faz parte da minha lista de filmes favoritos. Vale a pena assistir.

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