Especiais · Filmes

Filme: Captain Phillips (resenha)

captain_phillips_2013_new_poster-normal

 Título: Captain Phillips
Direção: Paul Greengrass; roteiro: Billy Ray; (roteiro baseado no livro “A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea”, por Richard Phillips e Stephan Talty)
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, Catherine Keener.
Ano: 2013; duração: 134 minutos; país: Estados Unidos.
Gênero: drama, biografia.

“Você disse que era um homem de negócios. É assim que você faz negócios?”

No terceiro post dedicado aos indicados ao Oscar 2014 de melhor filme, eu escolhi Captain Phillips, que, além do principal prêmio da noite, também concorre a Oscar de melhor ator coadjuvante (Barkhad Abdi), melhor edição (Christopher Rouse), melhor roteiro adaptado (Billy Ray) e outros dois prêmios técnicos de edição e mixagem de som.

Mesmo não sendo um dos favoritos na grande noite da Academia, acredito que o filme mereça seus créditos, assim como o concorrente a melhor ator coadjuvante, que me surpreendeu desde o início.

Baseado em fatos reais, Captain Phillips conta a história do capitão Richard Phillips que recebe como missão levar o cargueiro Maersk Alabama, carregado de suprimentos para ajudar pessoas famintas da África, do porto de Salalah, em Oman, até Mombasa, no Kenya, através do Golfo de Áden, passando pela costa da Somália, famosa por ataques piratas.

Após alguns dias no mar, Phillips nota, no radar, dois esquifes (barcos pequenos a motor) se aproximando rapidamente e deixa toda sua tripulação de sobreaviso. Nessa primeira investida, o capitão, para assustar os piratas, finge uma conversa no rádio com a marinha pedindo auxílio aéreo, o que assusta o líder de uns dos esquifes e os faz recuar, enquanto o outro segue com toda força atrás do cargueiro e acaba com o motor do barco quebrado.

No dia seguinte, Muse (Barkhad Abdi), volta em um único barco com seus quatro homens para perto do Maersk Alabama, consegue embarcar e sequestrar o cargueiro. Enquanto assiste da cabine toda a invasão sem poder fazer muita coisa, por não ter armas, Phillips manda, pelo rádio, que todos de sua tripulação se escondam e diz um dos meus quotes favoritos do filme: “Listen up, we have been boarded by armed pirates. If they find you, remember, you know this ship, they don’t. Stick together and we’ll be all right. Good luck.” (numa tradução livre: “Escutem, fomos invadidos por piratas armados. Se eles encontrarem vocês, lembrem-se, vocês conhecem esse navio, eles não. Fiquem juntos e tudo ficará bem. Boa sorte.”). O Maersk Alabama foi o primeiro cargueiro portando a bandeira norte americana a ser sequestrado em 200 anos.

captain-phillips-poster-3

Eu poderia seguir com o plote do filme, mas acredito que já estaria dando muitos spoilers e definitivamente não quero isso. O que eu quero é destacar a atuação do sempre incrível Tom Hanks e do novato e surpreendente Abdi e a maneira como eles criaram a relação entre protagonista e antagonista, que segura o filme do começo ao fim.

Hanks, como sempre, atua com maestria e nos apresenta um marinheiro mercante pai de família que não queria nada além de uma viagem tranquila para poder voltar pra casa o quanto antes. Abdi, enquanto isso, nos apresenta um ex-pescador somali que, ao não ver futuro nisso, torna-se pirata. Na verdade, pouco sabemos sobre o passado de Muse e assumo aqui a responsabilidade do comentário acima, deduzido por interpretação. já que nada se fala sobre isso no filme.

Phillips e Muse, apesar do inglês bruto de Muse e da situação na qual se encontram, de sequestrador e sequestrado, mantem a conversa durante todo o filme. Diálogos de frases curtas que dizem muito mais do que longos diálogos fariam; entre eles destaco um que Phillips diz a Muse que deve existir algo a ser além de um pescador ou um sequestrador e Muse lhe responde “Maybe in America, Irish, maybe in America” (“Talvez na América, Irish, talvez na América”).

O filme que tem uma história aparentemente simples, sem muita mudança de cenário, me conquistou pela realidade de toda a situação vinda, principalmente, pela força das atuações, como já foi dito, e pelo brilhantismo dos diálogos. A tensão está presente o tempo todo e algumas cenas chegam a ser confusas, com gritos de todos os lados e sempre só se espera pelo pior.

Acredito que a indicação ao Oscar de melhor filme veio pela crueza com a qual tudo é apresentado e a maneira como tudo foi bem editado, prendendo a atenção de quem assiste, como prendeu a minha. Como eu já comentei, você sempre só espera pelo pior e eu não te culparia por soltar exclamações em voz alta, como eu fiz umas duas ou três vezes.

Captain Phillips não é um filme fácil de assistir, exige atenção e, por algumas vezes, eu ameacei não terminá-lo, mas a vontade de descobrir se tudo acabaria na pior ou na melhor é mais forte do que todo o resto. Recomendo o filme a quem gosta (e suporta) fortes tensões e sentimentos num período de duas horas e mais um pouquinho.

The problems is not me talking. The problem is you not listening. Capitão Richard Phillips

Avaliação: 4 xícaras(4/5)

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s