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Duelo: Clube da Luta (Livro x Filme)

Clube da Luta

Título: Clube da Luta (Fight Club)

clube da lutaAutor: Chuck Palahniuk
tradutor: Cassius Medauar
editora: LeYa
páginas: 272
ano: 2012 (6a edição)

clube da lutaDireção: David Fincher; roteiro: Chuck Palahniuk, Jim Uhls;
elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Jared Leto.
Ano: 1999; duração: 139 minutos; país: Estados Unidos

Gênero: Drama, suspense

Eu sei que esta resenha quebra as 2 primeiras regras

Passei anos sem conhecer a trama de Clube da Luta. Sabia quão aclamado era e sempre encarei como uma daquelas leituras “obrigatórias”, como um título que eu precisava ler. Finalmente, no começo deste ano, senti que era um momento bom para finalmente encontrar o tal Tyler Durden de quem todo mundo sempre falou tanto. Já aproveitei pra conhecer tanto o livro quanto o filme e qual seria uma forma melhor do que um duelo para falar deles com vocês?

Somos acostumados a encarar Clube da Luta como um clássico atual, tanto da literatura quanto do cinema. Posto merecido. Escrito por Chuck Palahniuk e transformado em longa por David Fincher, a trama é digna de todo o crédito que ganhou desde a primeira publicação do livro em inglês em 1996, apenas 3 anos antes de Brad Pitt viver Tyler Durden na telona.

A trama tem como foco um jovem (protagonista sem nome, sim, mas tudo faz sentido, gente!) completamente imerso no sistema, que frequenta várias sessões de grupos anônimos para lidar com seu grave problema de insônia. O contato com as pessoas nos grupos de apoio e toda a liberação emocional instigada nas reuniões são a única coisa capaz de aliviar seu problema…

Até que ele conhece Marla Singer.

clube da luta

A relação com Marla é conturbada desde o começo. Ambos são farsantes em todos os grupos de apoio que frequentam, mas nenhum quer abandonar o conforto emocional das reuniões. Por não se sentir confortável nos grupos sabendo da presença de outra “faker”, o protagonista propõe a Marla que eles dividam as sessões. Logo dá para entender que a personagem ainda tem muito a trazer para a trama.

Mas Marla está longe de ser o problema da vida do protagonista. Em uma viagem de avião, ele tem seu primeiro contato com Tyler Durden, que se apresenta como um fabricante e vendedor de sabão esperto e de boa aparência que vive uma vida completamente livre dos padrões sociais. De certo modo, Tyler é tudo o que o protagonista não é.

Depois de um incêndio que destrói por completo seu apartamento, o jovem passa a morar com Tyler e é levado por ele a um novo modo de vida anárquico, violento e livre de imposições sociais.

A história é incrivelmente complexa e a impressão que tive ao ter contato com o livro e o filme é que, de certo modo, as duas obras se complementam. Tendo lido o livro antes, pude observar pistas e referências deixadas ao longo do filme que um espectador desavisado não notaria. Do mesmo modo, ao ver o filme, eu senti que várias passagens do livro se tornaram mais claras na minha cabeça.

O modo de escrita de Palahniuk me cativou. É uma narração simples, com descrições precisas e objetivas e focada nos diálogos, que são o forte da trama. As filosofias de Tyler Durden têm inspirado e continuarão inspirando gerações de pessoas inclinadas à anarquia e à fuga de imposições e padrões sociais. Aos que são mais sensíveis a ambientes violentos, porém, a história deve parecer bastante indigesta. A violência não me incomodou de modo algum, mas alguns pontos da narrativa me cansaram um pouco. O autor empregou uma avalanche de repetições realmente significativas dentro da narrativa, mas que soavam cansativas em alguns pontos.

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Fotos por Heron Heloy

A edição da LeYa ficou boa. A capa é bastante representativa, os parágrafos são bem distribuídos, com diagramação boa, espaçamento confortável e papel amarelado e grosso, que torna a leitura bem mais agradável. O livro vale a pena pela história, narração, tradução e trabalho editorial. Muito bom.

Quanto ao filme, preciso começar comentando a direção. Como um dos meus diretores de cinema favoritos, eu já sabia o que podia esperar do trabalho do David Fincher, que também dirigiu os incríveis Se7en – Os sete crimes capitais, Zodíaco e a adaptação americana de Os homens que não amavam as mulheres. O que mais me surpreendeu foi ver que a ambientação e as cenas foram muito parecidas com o que eu havia imaginado durante a leitura. Fincher deu vida à criação de Palahniuk com tanto fervor que interpretou a seu modo a cena final da trama (por isso, indico que todos conheçam as duas obras). Pulando para as interpretações, Edward Norton e Brad Pitt estão ótimos e ajudaram a tornar o filme uma aclamação da crítica especializada. E ponto extra pela Helena Bonham Carter! Não adianta, gente. Eu amo essa mulher.

Vamos às avaliações?

Livro: 4 xícaras(4/5)

Filme: 4,5 xícaras(4,5/5)

Confesso que fiquei assustada. É a primeira vez que um filme se torna mais querido para mim do que o livro que o originou. Não que a criação de Palahniuk não tenha força por si só para inspirar a legião de fãs que inspira, mas acredito que o toque de Fincher deu um brilho extra à obra. Um clássico – e com todos os méritos.

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