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Livro: A Menina que Roubava Livros (resenha)

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Título: A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)
Autor: Markus Zusak
editora: Intrínseca
páginas: 382; ano: 2008 (original 2006)
Tradutora: Vera Ribeiro
Gênero: Drama

Eis um pequeno fato: você vai morrer.

Fim de ano sempre faz todo mundo sumir um pouco, e eu faço parte do todo mundo. Mas agora voltei, e com algo muito especial. Sabe aquele livro que marca a tua vida pra sempre, mesmo sem ser o melhor livro do mundo? Pois bem, estou aqui tendo o árduo trabalho de resenhar o meu.

Quando eu li A Menina que Roubava Livros pela primeira vez, eu tinha 17 anos. Quando mal tinha sido lançado no Brasil, uma amiga me apresentou esse livro. Ela lia trechos e cada vez mais eu tinha certeza que iria amar. Eu estava certa. Mas eu não imaginava o quanto ele representaria na minha vida.

E aproveitando que amanhã é a estreia do filme no Brasil, estou resenhando o livro. E depois faço a comparação.

Liesel Meminger é filha de uma comunista fugitiva do regime nazista. Ela e seu irmão são enviados para serem criados por uma família pobre na Alemanha. Seu pequeno irmão não completa a viagem, e é a primeira vez que Liesel se encontra com a morte. A primeira de três vezes. E, por descuido do coveiro, ela tem a oportunidade de fazer sue primeiro pequeno furto de livros ao pegar “O manual do coveiro” para si. A partir daí, Liesel tem uma vida pobre, mas não menos feliz. Sua nova mãe, Rosa, possui uma maneira um tanto violenta de demonstrar amor, mas a ama de todo o coração e faz de tudo para criá-la bem. Seu novo pai, Hans, diferente da mãe, é um homem simples e bondoso, que ajuda Liesel a se afugentar mais e mais entre os livros que ela tanto amava, mesmo sem saber ler. Ao lado de seu amigo Rudy, a infância de Liesel se desenrola, com mais e mais livros roubados, e com o nazismo a cercando de todos os lados e a fazendo viver coisas que nem a morte conseguiu esquecer.

A Menina que Roubava Livros é um livro incomum, até estranho de ser lido no início. A começar por sua inusitada narradora, alguém muito amigável, amável, afável (como ela mesma diz), mas não simpática. Alguém que vai fazer o leitor sorrir incontáveis vezes durante a história. A morte. Sim, a morte. A dona morte conta a história das três vezes em que se encontrou com Liesel durante a vida da ladra de livros.
É uma narração extremamente simples e gostosa de ler, que não se apega a detalhes descritivos, simplesmente pelo fato de que é “alguém” contando a história. Markus Zusak conseguiu transmitir na sua escrita a sensação de que a dona morte sentou do nosso lado, sorrindo, e disse “Venham cá, quero contar a história de uma roubadora de livros”. Ele traz frases curtas, palavras sozinhas em um parágrafo, tudo dando um ritmo à narração, que envolve o leitor e não deixa a leitura densa.
Nunca postei nenhum texto ficcional meu aqui, mas posso dizer que a escrita do Markus está presente na minha escrita por ter acrescentado leveza e simplicidade a coisas que eu procurava fazer o mais quadrado possível. E tenho certeza que qualquer aspirante a escritor, depois de ler esse livro, também absorveria essa simplicidade.

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Se tratando da caracterização dos personagens, eu fiquei muito satisfeita com a maneira que ele delineou cada personalidade. Liesel não é uma heroína, mas também não é uma garota fútil que não sabe nada da vida. Ele trouxe a realidade pobre e dura dela para sua personalidade, sem perder o ar da criança que ela era. É possível perceber um amadurecimento de Liesel dentro da história, que se passa em um curto período de menos de cinco anos. Tudo que acontece, que a obriga a encarar as coisas de uma forma mais madura, não vai embora depois que passa, mas a faz crescer.
Rudy é um dos grandes amores da minha vida. É um garoto chato, implicante, irritante demais, mas ao mesmo tempo impossível de não se afeiçoar. E ele também é afetado por tudo que acontece em volta deles, e por sua relação com Liesel. Os pais de Liesel, assim como a esposa do prefeito, no entanto, são verdadeiramente mostrados como adultos fortes, afetados pela pobreza e pelo nazismo. E cada um lida a sua maneira peculiar com aquela situação. É um pouco tenso ver como Rosa trata Liesel durante a história (e graças à ela é possível aprender vários xingamentos em alemão), mas o autor consegue mostrar a máscara que ela colocou no rosto para poder lidar com o amor e o medo que sentia pelo que pudesse acontecer com Liesel. E Hans também se mostra esférico, iniciando como um homem que pode até parecer fraco aos olhos da sociedade, mas que mostra uma força e coragem inacreditáveis ao longo da história.

E claro, eu não poderia deixar de falar da dona morte. Ela é uma personagem importante da história, pois ela coloca a própria personalidade na narração. Markus conseguiu quebrar a ideia de morte sombria e assustadora e nos trouxe um ser carismático e fácil de se afeiçoar, que ama os humanos ao mesmo tempo em que não os entende.

Algo incomum: é um livro recheado de spoilers! Algumas coisas que irão acontecer mais para o fim do livro são ditas na metade pela narradora, no meio das cenas, e isso te deixa de queixo caído, olhando para as páginas e quase gritando por que raios o autor fez aquilo. Isso me deixou surpresa e me fez gostar ainda mais desse livro, por mais estranho que pareça.
Da parte editorial também, a diagramação é diferente, ela ajuda a dar o tom leve à narração. É legal dizer também que tem várias figuras feitas pelos personagens dentro da história. Um livro é escrito de maneira rústica e ele está impresso da forma como foi escrito. É muito interessante.

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Eu estou tentando ao máximo não dar spoilers, estou guardando isso para a comparação com o filme, mas algo precisa ser dito a respeito do fim: é um soco na boca do estômago. É algo que tu imagina, mas que não imagina de verdade. Única vez que eu chorei tanto com um livro foi com a morte do Snape em Harry Potter.

Avaliação: 5 xícaras (5/5)

Eu não falei nem a metade do que eu gostaria de falar sobre esse livro, porque é o livro mais importante da minha vida. Mas acho que consegui sintetizar o básico para que eu possa ter convencido todo mundo a correr para ler. Vale muito a pena. Muito mesmo.

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2 comentários em “Livro: A Menina que Roubava Livros (resenha)

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