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Livro: Psicose (resenha)

PsicoseTítulo: Psicose (Psycho)
Autor: Robert Bloch
Tradutora: Anabela Paiva
editora: DarkSide Books
páginas: 256
ano: 2013 (originalmente publicado em 1959)
Gênero: Terror, suspense.

“Norman Bates ouviu o som e estremeceu”

Resolvi adotar como título desta resenha a primeira frase da icônica obra de terror de Robert Bloch. Psicose já é parte do imaginário popular devido à famosa adaptação para o cinema dirigida por Alfred Hitchcock em 1960. Criou-se uma lenda de que o terror é sempre intensificado na sétima arte por conta dos recursos de imagem e trilha sonora, mas – se você aceita a dica de uma leitora empolgada – as páginas de Psicose são tão apavorantes quanto sua versão cinematográfica.

Claro, falamos de um terror mais clássico e elaborado. Não a sequência clichê de sustos e muito menos o excesso de nojeira que se apresenta na grande maioria das produções de “terror” atuais. Psicose se tornou o que é devido ao trabalho de duas almas talentosas: Hitchcock, que iconizou o Bates Motel com a incrivelmente famosa cena da morte de Mary Crane no chuveiro, e Robert Bloch, o verdadeiro criador de Norman Bates.

Psicose

A história é focada no antissocial Norman Bates – dono de um motel de pouco movimento localizado em uma estrada antiga -, seus conflitos internos e a tempestuosa relação com sua mãe. Nos primeiros capítulos, temos o crime que desencadeia toda a trama. Com o assassinato da jovem Marion Crane, Norman precisa controlar a situação para proteger a mãe e manter afastados todos os que vêm à procura da moça. Mas para se livrar da situação, ele vai ter que lidar não só com o investigador Arbogast, mas também com a Lila Crane e Sam Loomis, a irmã e o noivo de Mary, que resolvem investigar por conta própria o desaparecimento da garota.

Torci por Norman Bates do começo ao fim do livro. O personagem criado por Bloch é apaixonante demais para ser chamado de vilão e se torna mais um anti-herói. Bloch é capaz de nos transportar para sua cabeça e nos fazer sentir os medos e frustrações de toda uma vida. O leitor logo sabe que há algo de errado com Norman, mas a vontade de julgá-lo não aparece em momento algum. Senti isso claramente em uma declaração dada por Lila a respeito de Bates:

 “[…] Ele deve ter sofrido mais do que qualquer um de nós. De certa maneira, eu quase posso entender. Nós não somos tão lúcidos quanto fingimos ser.” (p. 231)

Psicose é mais do que uma história de tensão. Ela nos faz perceber o quanto a nossa sanidade é ilusória e o quanto nossas reações e percepções são imprevisíveis quando não vemos outra saída. Norman Bates não é um personagem de ficção. É um retrato da insanidade contida dentro de todos nós.

 Avaliação: 5 xícaras (5/5)

Nunca poderia dar menos do que 5 xícaras para este livro. Comecei 2014 com uma leitura que entra para a listas das melhores de toda a minha vida. Uma lição de como o bem e o mal estão próximos e são parte de cada um.

Psicose

E para dar jus a essa incrível obra, não consigo pensar que editora faria um trabalho melhor do que a DarkSide. Vocês sabem como eu sou com essa editora. Já falei muito bem do trabalho deles nas minhas resenhas de O Circo Mecânico Tresaulti e Serial Killer, Anatomia do Mal. E foi isso que acabou me dando tanta vontade de adquirir a edição limitada de Psicose. É um pouco mais cara, mas vale muito a pena!

Psicose

Capa dura, diagramação excelente, tradução e revisão muito bem feitas, papel amarelado e grosso, com detalhes em cada começo e fim de capítulo e imagens do filme do Hitchcock espalhada pelas páginas como um plus a essa beleza toda. E ainda vem um aviso de porta de “Não perturbe” personalizado do Bates Motel. Fiquei apaixonada. É uma edição incrível pra se ter na coleção!

Psicose

Quer um aperitivo antes de aceitar o jantar com Norman Bates?

“Não era a ideia mais apetitosa do mundo, mas quando Norman semicerrava os olhos, quase podia ver a cena: a multidão de guerreiros nus, pintados, contorcendo-se e balançando-se em uníssono sob um sol selvagem, e a velha da tribo, ajoelhada diante deles, batendo o ritmo incessante no ventre inchado e distendido de um cadáver. A boca escancarada, mantida aberta à força, provavelmente fixada em uma careta por ganchos de osso, de onde o som emergia. As pancadas no ventre, atravessando os murchos orifícios interiores, abrindo a encolhida traqueia, para emergir, ampliadas, e com toda força, da garganta morta.” (p. 17)

“Engraçado: quando a viu, teve uma sensação horrível de… Como era a palavra? Im alguma coisa. Importância. Não, não era isso. Ele não se sentia importante quando estava com mulher. Ele se sentia… impossível? Também não era. Ele conhecia aquela palavra, tinha lido em livros centenas de vezes, naquele tipo de livro que a Mãe nem sabia que ele tinha.” (p. 63)

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6 comentários em “Livro: Psicose (resenha)

  1. Huuum… Dá até um friozinho na barriga de pensar na cena do assassinato dessa personagem no chuveiro. Deu vontade de fazer essa leitura.=) Quem sabe ainda esse ano.

    1. A cena do assassinato no chuveiro no livro é sensacional.
      E fiquei completamente tensa com o capítulo 15, mas não vou dizer por quê. A leitura vale muito a pena!

  2. QUE EDIÇÃO MARAVILHOSA!!!! Preciso comprar ela, é tãããão linda. *-* eu sou fascinada com o filme desde sempre, mas nunca li o livro, confesso que demorei anos para descobrir que o livro existia x.x E que post lindo, sério dá vontade de ver filme, ler livro e abraçar o Norman Bates mesmo que isso vá causar a minha morte. Tu assistiu mais de Bates motel? Eu só vi um episódio u.u não sei se continuo.

    1. Eu assisti um episódio e não sei ainda se curti, mas quero ver mais porque o Freddie Highmore me lembra muito a versão de cinema do Norman Bates e acho que o guri tem potencial pra ser um Norman incrível, mesmo com aquele plot atualizado – e eu quero muito saber como eles vãos fazer essa porra dar certo.

      Quanto ao livro: AMOR AMOR AMOR. Só digo isso.
      E ainda estou chocada de descobrir que o Norman Bates original era um cara gordo e estranho. A versão do cinema ficou muito na minha cabeça. <3

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