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Livro: A Culpa é das Estrelas (resenha)

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Título: A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Pág.: 286; ano: 2013 (or. 2012)
Gênero: Romance, drama, jovem-adulto

O mundo não é uma fábrica de realização de desejos.

No post da wishlist eu falei que ia procurar um livro do John Green para ler e entender qual a pira em cima dele. Pois bem, encontrei A Culpa é das Estrelas e tenho muita coisa para falar.

Hazel Grace é paciente terminal de um câncer incurável, mas que, por um milagre da medicina, consegue achar um tratamento que prolonga sua vida por mais alguns anos ao impedir que o câncer se espalhe. Ela pensa demais na morte, e já aceitou o fato de que sua vida gira em torno dos privilégios do câncer e dos sintomas de estar morrendo (como ela mesma diz). Entretanto, Hazel nunca iria imaginar que seu terrível diagnóstico traria algo que mudaria sua vida completamente: Augustus Waters, um sobrevivente do câncer que tem a perna amputada, o grande amor do fim de sua vida.

YA (Young-adult = Jovem-adulto) não é um gênero que me agrade, por sempre exigir um romance “água com açúcar” e um mimimi exagerado. Mas já li muito desse gênero na vida, principalmente quando era mais nova, e tinha ouvido falar que John Green era um YA diferente. E ele realmente é.

No começo da história o estilo de narração do John Green me irritou profundamente. A narradora é a Hazel. Não gosto de narradores em primeira pessoa, muito menos se eles falam frases como “na boa, ele era muito gato”. Mas isso faz parte do estilo, então relevei, e logo começou a surgir descrições e narrações diferentes, que iam muito além de só o pensamento da Hazel.
Ele traz todos os clichês do YA na sacola: a paixão quase instantânea, o amor exagerado, o drama adolescente, a narração em primeira pessoa de um adolescente chato. Mas o que me encantou mesmo foi ver o quanto ele não insulta seus leitores. O quanto ele traz todos esses clichês e os coloca dentro de uma narração e de um enredo forte, que ele não tem medo nenhum de descrever. YA é para ser um gênero acessível sim, mas não necessariamente precisa ser mastigado e sem nenhuma profundidade. E foi o que ele tentou fazer, aprofundar o leitor em um pensamento, em uma reflexão de verdade.

Mas o livro me irritou demais no perfil dos personagens. Hazel sendo a mulher que idolatra o homem, que o acha lindo e perfeito a cada parágrafo, que sorri e fica maravilhada com todas as esquisitices dele. Ao mesmo tempo em que Augustus é o clichê do príncipe encantado, com suas metáforas sem pé nem cabeça (e não estou falando só da mania irritante de ficar com um cigarro apagado na boca para “flertar com a morte”), que vive para realizar tudo que sua donzela Hazel deseja. Última vez que fiquei tão irritada com um personagem masculino tão forçado foi assistindo The Notebook. Acho que o autor perdeu um pouco a mão quando construiu Augustus, e não por ser um personagem metafórico, mas por não serem metáforas bem descritas e contextualizadas. Foram metáforas carregadas de frases de efeito que foram simplesmente aceitas.
Isaac foi meu personagem favorito, com certeza. Ele é real, totalmente real. E eu quero abraçá-lo e dizer que vou ser a sua Monica.

Mas apesar de não ter gostado da construção forçada dos personagens, gostei muito do rumo da história (que eu já imaginava). Entendi o que John Green quis fazer, a mensagem que ele quis passar para os adolescentes, e achei que foi uma mensagem bem transmitida de que nunca é o fim totalmente. E que, mesmo que seja, qual a obrigação de saber exatamente que fim é esse?
Claro que estou falando de Uma Aflição Imperial. E falando bem sério, acho que John Green teria capacidade de escrever esse livro que me pareceu épico sem ficar preso ao YA. E isso é algo que me chateia, mas ao mesmo tempo me faz pensar. É um pouco conflitante ver um autor escrevendo um gênero tão simples, sendo que tem capacidade óbvia de escrever algo profundo, mas ao mesmo tempo… O YA precisa dele, precisa de alguém assim.

A Culpa é das Estrelas é um livro que te joga em uma realidade que provavelmente tu nunca paraste para refletir de verdade. E, mesmo com um personagem tão exagerado como o Augustus Waters, os personagens em volta (os pais e amigos) dão a dimensão de como as coisas são de verdade em situações assim. E também te faz pensar se a necessidade de saber todas as respostas é real ou é só um capricho.

Avaliação: 3,5 xícaras (3,5/5)

É um livro bom, com seus defeitos, mas bom. Certamente um livro que vai fazer os mais sensíveis chorarem (eu não chorei, mas sou equivalente a um pedaço de madeira oca quando se trata de sentimentos). Também é um ótimo livro para quem curte o gênero YA, mas está cansado da mesmice que caiu sobre esse gênero.

Ps.: Eu quis morrer com tanto caps lock. Só um pequeno detalhe.

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5 comentários em “Livro: A Culpa é das Estrelas (resenha)

  1. Não me lembro dos caps lock, tinha? And well well well tava curiosa para ver sua opinião e sinceramente eu achei que tu esculacharia o livro muito mais, achei que EU esculacharia muito mais e no fim eu gostei, não chorei mas fiquei meio estranha depois pq tenho minhas neuras e por não ser um livro raso acaba mexendo de certa forma. Eu gostei do livro mas não é meu tipo de livro e prefiro não ler coisas assim. Qual a dificuldade que os autores tem para criar o casal protagonista sem eles terem problemas? O lance do cigarro foi uma das coisas mais babacas que eu li nos ultimos tempos, e uns outros lances que você citou me irritou também mas eu ri bastante é um livro gostoso de ler e meio ruim de sentir (no meu caso, again minhas neuras). Esse comentário ja deve ter perdido o sentido hauahua gostei do post acho que você acertou em cheio ao falar do livro.

    1. Pois é, no início eu pensei “putz, não vou gostar disso.”, mas depois o livro me ganhou por motivos que eu ainda não sei direito. Acho que foi a surpresa mesmo de ser algo diferente do esperado.
      Sim, casal de livro YA é sempre irritante e eu acho que cheguei à conclusão de que nunca vai ser diferente, fazeroq

      Que bom que gostou!

      1. Casal de livro YA é muito bleh. Até o Ransom Riggs em O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, que foi um livro YA que eu amei, se perdeu um pouco incluindo um casal bobo na história.

  2. …Você me deixou sem saber o que dizer! Meu deus, Janyce, sério, não existe UMA coisa da qual eu discorde, nem nada que eu possa complementar. Talvez algo sobre a Hazel… Que, apesar de eu também não aguentar a idolatria dela pelo Gus (e eu também fico muito -Q com as metáforas dele), eu acabei me concentrando na outra parte sobre ela, no quanto ela é de verdade e perfeitamente construída e, sigh, enfim, eu sou muito suspeita pra falar sobre ela. Mas também preciso falar duas outras coisas: 1-) Isaac <3 eu também sou perdidamente apaixonada por ele, ele é meu favorito também. Muito. 2-) O que você falou sobre o conflito com o estilo que o John deveria seguir… Nunca concordei tanto com algo.
    Amei, amei, amei :3 fico muito feliz que você tenha captado a essência do livro.

    1. Acho que me faltou um pouco de identificação com ela por me irritar com os “seu sorriso perfeitamente augustiano” o tempo todo. Mas é como eu te disse, no fim, eu entendi ela, porque eu acho que seria muito pior.
      Na verdade, sinto que o John pecou um pouco por fixar tanto o centro da história no Augustus, mesmo com a Hazel sendo narradora. Um leitor que não tenha tanta identificação pessoal com a Hazel acaba não pegando a realidade da personagem.

      Que bom que tu gostaste da resenha *-* Porque eu entendi perfeitamente o que te faz amar ele, mesmo vendo defeitos no livro. Eu entendi a pira HAHA
      Obrigada por me fazer ler, mesmo.
      Próxima parada: Alasca.

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