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Minissérie: Hatfields & McCoys (resenha)

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Título: Hatfields & McCoys
Diretor: Kevin Reynolds
Elenco: Kevin Costner, Bill Paxton, Tom Berenger, Matt Barr, Jena Malone, Andrew Howard, Sarah Parish, Mare Winningham, Boyd Holbrook
Ano: 2012; duração: 3 apisódios – 290 min; país: Estados Unidos

Never Forgive. Never Forget.

Algo um pouco inesperado sobre mim: eu gosto muito de western. Mesmo filmes que não se passam na fronteira oeste norte-americana, mas que tem o mesmo ambiente de cidades interioranas e rurais do século XIX que o faroeste tem. Isso me levou a ter interesse em Hatfields & McCoys assim que vi o anúncio da estreia em janeiro.

Assisti na estreia, achei uma realização maravilhosa, mas por algum motivo não fez diferença na minha vida naquele momento. Depois fui perceber que o problema não era a minissérie, era eu. No meio do ano tive uma vontade louca de assistir novamente e fui atrás, e dessa vez eu percebi que assisti uma das melhores coisas da minha vida até agora.

A história é real, a rixa Hatfield-McCoy faz parte do folclore dos Estados Unidos e é sempre muito lembrada. A rixa durou quase 30 anos e causou diversas mortes dos dois lados, deixando uma inimizade histórica até os dias de hoje. Eu não sabia nada dessa história antes de assistir a minissérie, fui pesquisar e me informar depois. Não é preciso ter nenhum conhecimento histórico além de saber que ela se passa logo após o fim da Guerra de Secessão.

Anderson Hatfield (Kevin Costner), o Devil Anse, é o patriarca dos Hatfield e praticamente o dono da região que hoje é conhecida como Condado de Logan, em West Virginia, por ter o negócio madeireiro que movimenta a economia da região. Já Randolph McCoy (Bill Paxton), Randall, vive em Kentucky e é o principal nome da família McCoy, fazendo fronteira com as terras dos Hatfield. A história começa durante a Guerra da Secessão, na qual os patriarcas lutam juntos. Devil Anse salva a vida de Randall, que acaba retribuindo ao não matá-lo quando o vê desertar.
Enquanto Randall McCoy ainda luta na guerra, seu irmão é assassinado por Jim Vince (Tom Berenger), tio de Devil Anse, após uma discussão de bar. Ao voltar para casa, Randall descobre sobre o assassinato e vai atrás da justiça para condenar Jim Vince. Acontece que Anse Hatfield é muito influente naquela região, e possui parentesco com o juizado, o que leva à absolvição de Jim Vince e cria a primeira faísca de animosidade entre as famílias. Tudo começa a ficar pior após denúncias de roubos entre os membros das famílias, acabando por explodir a rixa quando o filho de Devil Anse, Johnse Hatfield (Matt Barr), e Roseanna McCoy (Lindsay Pulsipher) começam um relacionamento que faz com que ela seja expulsa de sua família e vá morar com os Hatfield. A história se desenvolve através de morte e vingança entre as famílias até virar praticamente uma guerra civil, com um desfecho emocionante.

Kevin Costner esteve entre os produtores da minissérie, ele é um grande amigo do diretor Kevin Reynolds. Eu poderia passar horas dissertando sobre como os fatores que envolvem a produção de Hatfields & McCoys é primorosa, mas a lista de indicações e prêmios do Emmy e Golden Globe que a série recebeu desde maquiagem até trilha sonora fala por si só. A série é de realização do History Channel, e a impressão de realidade que a produção passa é impressionante. Vale a pena falar das atuações, também muito premiadas, que me fizeram sentir emoções fortes enquanto eu assistia e até depois, quando pensava sobre isso. É visível o quanto todos os atores entraram em seus personagens sem se importar se eles seriam amados ou odiados, foram interpretações absurdamente reais.

Essa é uma questão bem interessante, não há vilões ou mocinhos nessa história. Eu li uma crítica há um tempo que falava que o problema da série era que no fim o espectador estava assistindo uma guerra que ninguém sabia dizer ao certo o motivo. E é exatamente isso que eu mais gostei. Tudo se transforma numa enorme bola de neve, onde um quer se vingar do outro sem pensar nas consequências, tudo em nome da honra, sem um real propósito além disso. Eu me peguei odiando personagens no início e amando eles no fim, dando razão a cada 20 minutos para um lado diferente, e acabei percebendo que todos são culpados. A pior parte é se envolver tanto na história de cada um – graças às perfeitas interpretações dos atores – que algumas mortes chegam à apertar o peito. Essa não é uma série para quem não gosta de se envolver emocionalmente com os personagens.

Deus é um fator presente nessa história, e isso também faz parte da realidade do que aconteceu. Há o ateu e o religioso devoto, e durante os 30 anos de rixa, Deus é colocado como motivo de muitos desfechos bons e ruins. No fim há uma total mudança de posição e pensamento em relação à religiosidade, tanto em Devil Anse, quanto em Randall. Essa parte foi bem interessante para mim.

Avaliação: 5 xícaras (5/5)

Quem convive comigo nessa vida online já está cansado de me ver incomodando todo mundo para assistir, e aqui vou fazer isso pela última vez: assista Hatfields & McCoys.
Eu poderia indicar especialmente para quem gosta dos chamados “filmes de bang-bang” ou filmes baseados em histórias reais, mas eu realmente acho que qualquer um iria se encantar por essa história. Por ser um seriado tão curto e tão cheio de acontecimentos, depois de começar, não dá pra parar mais.

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4 comentários em “Minissérie: Hatfields & McCoys (resenha)

  1. Li e continuo me perguntando por que ainda não assisti. Desde que você começou a falar sobre a série, eu me encantei (ainda mais depois de ver as fotos daqueles atores que hng!). Baixei tudo e ainda não vi, não me pergunte por que, não sei dizer, mas sei que deveria. Ler sua resenha conseguiu me deixar ainda mais curiosa!

    1. Eu também me pergunto o que tu faz com essa série baixada e não assiste logo u.u
      Eu não sei se tu gosta do estilo western, mas eu realmente acho que tu vai gostar, porque é incrível.

      Assiste logo!

  2. “Quem convive comigo nessa vida online já está cansado de me ver incomodando todo mundo para assistir” > NÉ? HAHA

    Essa série vai estar sempre ligada a você me falando dela durante o FemRPG. Eu não sou uma grande fã de western, mas preciso parar pra assistir isso um dia porque parece muito massa!

    E essa resenha ficou brutal e muito boa!

  3. HAHAH Eu parei de incomodar antes que me xingassem.
    É uma série que tem traços western, mas ela não tem o clichê do mocinho no seu cavalo combatendo o bandidão e fumando um cigarro no quanto da boca enquanto cavalga pelo deserto que grande parte dos western antigos tem. Por isso eu acho que até quem não gosta do estilo iria adorar. Assiste!!

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