Livros

Livro: Peter Pan (resenha)

peter

Título: Peter Pan (Peter Pan and Wendy)
Autor: J. M. Barrie; editora: Salamandra
páginas: 257; ano: 2006 (originalmente lançado em 1911)

A segunda à direita, e depois sempre em frente, até de manhã.

Quando tivemos a ideia de fazer a semana da criança no blog, eu não levei nem 2 segundos para escolher o livro que eu iria falar. Quem me conhece sabe o quanto eu amo Peter Pan e o quanto essa história significa na minha vida. Eu não poderia achar momento melhor para falar desse livro aqui senão agora.

Originalmente, Peter Pan; or, the Boy Who Wouldn’t Grow Up era uma peça de teatro escrita por J. M. Barrie em 1904 e apresentada nos palcos de Londres. Mesmo sendo bem recebida pelo público, a história levou vários anos para ser publicada como o livro Peter Pan and Wendy que se conhece atualmente.

A história não deve ser mistério para ninguém, mas vamos a um pequeno resumo. Os Darling são um casal comum da Inglaterra que possui 3 filhos: Wendy, João e Miguel. Eles são donos de uma cadela Terranova chamada Naná, que é muito mais uma babá das crianças do que um cão comum. Wendy começa a perceber folhas perto de sua janela e já imagina que Peter Pan, o menino que não quer crescer, esteja visitando a casa. E isso se confirma quando a Sra Darling encontra a sombra de Peter na boca de Naná, examinando e guardando pra quando ele venha buscá-la.

Um belo dia, o Sr e a Sra Darling saem para uma festa à noite e deixam as crianças aos cuidados de Naná. E justamente nesse dia Peter volta para buscar sua sombra, acompanhado de Sininho, uma pequena fadinha. Ele irá ensinar as crianças a voar e as levará para a Terra do Nunca, prometendo amigos e aventuras que eles jamais iriam esquecer. Deixando Naná para trás, as crianças partem para a Terra do Nunca e lá entram em contato com os Meninos Perdidos que moram com Peter, os índios da ilha e lutam com piratas liderados pelo temível Capitão Gancho.

Parece um enredo muito simples e que qualquer criança iria acreditar e gostar. Mas o encanto está justamente nisso. J. M. Barrie construiu uma história capaz de agradar desde os mais novos até os mais velhos, e faz qualquer adulto voltar para sua infância onde as brincadeiras e a imaginação voavam para muito longe.

No livro, não se discute Peter. O autor coloca como se todos nós soubéssemos que ele é real, e que perder sua sombra é algo possível e comum. O estranhamento das crianças em relação àquela situação é muito pouco, quase nada, se comparado ao que normalmente aconteceria na realidade. Esses fatores permitem o leitor a se levar na história, se deixar acreditar também na possibilidade de tudo aquilo.

Os personagens são fortes e tem personalidade, mesmo sendo um livro infantil. Faço parte da parcela de fãs de Peter Pan que odeia o Peter. Acho-o um total insuportável e egoísta. Mas encarando de uma forma imparcial, é possível entender por que ele é tão insuportavelmente egoísta dessa forma. Ele é apenas uma criança, e uma criança que nunca quer crescer. Peter é, ao mesmo tempo que alguém muito inocente, um líder nato, e a liderança em um grupo geralmente sobe à cabeça das crianças.

Wendy é a mãe que Peter nunca teve, e ela se coloca como a mãe de todos naquele lugar. É a personagem mais madura de todas, aquela que está mais crescida, apesar de não ser tão mais velha que o resto. A relação dela com Peter passa tanto pelo sentimento materno, como por um lado mais amoroso, mesmo que inocente. Achei muito interessante o autor colocar Wendy como o pingo de sanidade no meio de tanta loucura.

Há muitos outros personagens, mas para não me estender, só farei uma menção honrosa ao Gancho. Ele é o meu personagem de livro favorito de tudo que eu já li na vida. Ele supostamente é o grande vilão da história, mas o leitor acaba se afeiçoando e rindo com ele e dele. É o mais cheio de conteúdo e construção de personalidade dentre todos os personagens do livro, ele se mostra um pirata sem escrúpulos ao mesmo tempo que possui uma alma sentimental e cheia de frustrações. Ele é perfeito.

Gancho
Ilustração do Capitão Gancho no livro, feita por Fernando Vicente

Outra personagem muito bem construída é Sininho. Mas é curioso, nos filmes ela tem muito mais participação e importância na história do que tem no livro. Ela é a fada que acompanha e é devota a Peter, sendo uma verdadeira louca quando o ciúme bate.

O livro traz muitas temáticas mais profundas, que só um olho adulto é capaz de identificar. Como, por exemplo, a dificuldade de aceitar o crescimento, que todo mundo passa em determinado ponto da vida. Em como viver em um mundo fantasioso pode parecer perfeito, mas no fim só trás solidão. O fato de Peter ser muito esquecido também mostra o quanto a cabeça de uma criança pode se desprender da realidade. E posso até falar de Sininho e Wendy, que nas entrelinhas disputam o lugar ao lado de Peter, sendo dois tipos de mulheres completamente diferentes: a dona de casa cuidadosa, e a independente e poderosa. Por esse motivo acho que esse livro tem muito potencial para agradar qualquer faixa etária.

E, sim, a narração é infantil. Barrie escreve com uma suavidade e sensibilidade que eu nunca vi em outro livro. Ele conversa com o leitor, como se fosse seu avô lendo uma história antes de dormir. Ele constrói o ambiente desde a primeira página, e as relações entre as personagens são extremamente sinceras e inocentes. Ele cria e desenvolve a relação dos Meninos Perdidos com os Índios e os Piratas de uma forma natural, o leitor compra totalmente os motivos para aquelas guerras.

Vale lembrar que essa história tem cenas de guerra e luta corporal, e o autor não foi o mais cuidadoso ao narrar algumas partes dessas lutas. Vale lembrar que na época que o livro foi publicado a relação das crianças com guerras era diferente do que a de hoje (os modificados contos dos Irmãos Grimm estão aí pra provar). Mas não é nada muito espantoso, só um pouco mais descritivo.

Avaliação: 5 xícaras  (5/5)

Esse eu indico para todo mundo, pois o livro tem muitas diferenças em relação aos filmes, coisas que o leitor só vai entender ao ler o livro, principalmente o final.

Se tu ainda não leste Peter Pan, não sei o que está fazendo que ainda não correu para pegar esse livro e voltar para o tempo mais bonito da vida, onde nós podíamos jurar que toda aquela fantasia na nossa cabeça era realidade, e era muito bom.

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