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Livro: Filhos do Éden #2 – Anjos da Morte (resenha)

Anjos da Morte

Título: Filhos do Éden – Anjos da Morte
Autor: Eduardo Spohr; editora: Verus
páginas: 590; ano: 2013

 Muita história e um pouco de álcool

 Quem acompanha o Chá de Prosa no Facebook ou leu a minha resenha de Herdeiros de Atlântida já sabia que eu não ia demorar para aparecer aqui de novo com o post sobre Anjos da Morte.

O segundo livro da trilogia Filhos do Éden, do nerd e queridíssimo Eduardo Spohr, não me surpreendeu quanto à qualidade – depois de ler o primeiro livro da série, eu já tinha ficado completamente cativada pela trama -, mas me causou um forte choque por conta da diferença de narrativa e profundidade de abordagem. E não é pra menos! Eu já estou ficando acostumada com a capacidade que o Spohr tem de me impressionar mais a cada página.

Neste livro, o autor nos aproxima mais das ironias e vícios terrenos de um de seus personagens mais profundos e encantadores – à sua própria maneira sarcástica -, o querubim exilado Denyel. Depois do fim enigmático do personagem em Herdeiros de Atlântida, somos arrastados de volta no tempo à primeira metade do século XX e acompanhamos as missões do protagonista como um anjo da morte – celeste escalado para viver entre os humanos e participar das guerras e conflitos que marcaram todo o último século.

Humilhado diversas vezes por seu superior, o arconte Sólon, da casta dos malakins, vivendo paixões e sentimentos terrenos, Denyel se torna tão humano ao longo da trama que é quase como se pudéssemos sentir suas frustrações capítulo a capítulo.

Anjos da Morte

Eduardo Spohr não escreveu apenas um livro quando se propôs a construir a narrativa de Anjos da Morte. Eu me arriscaria a dizer que a história poderia ser facilmente dividida em dois livros, distintos não só pela ambientação, mas pela forma de narrar, pela profundidade dos personagens e pelo uso de fatos históricos.

A sequência de Herdeiros de Atlântida está ali. Em alguns capítulos, acompanhamos a saga de Kaira e seu pequeno coro de celestes na tentativa de resgatar Denyel das águas do Rio Oceanus e completar uma nova missão dada pelo arcanjo Gabriel: a de localizar o Primeiro Anjo, um poderosíssimo prisioneiro que fugiu dos calabouços de Gehenna.

Anjos da Morte

Apesar de trazer a continuação da trama do primeiro livro, a abordagem desse núcleo durante Anjos da Morte tem um andamento bem lento, trazendo algumas cenas enigmáticas e peças importantes para a conclusão da trama, que se dará em Paraíso Perdido, terceiro livro da série, ainda não publicado.

O foco – e também o que faz do livro um trabalho tão bom – é, sem dúvida, a saga de Denyel durante o século passado e os elementos históricos incluídos pelo autor. A cada começo de capítulo, Spohr nos apresenta uma ambientação histórica, fruto de muita pesquisa, mesclada a novos elementos fictícios que se misturam de forma a confundir real e irreal; história e ficção. No apêndice, como um bônus para quem – como eu – se impressionou e se encantou com a riqueza da pesquisa, o autor nos traz um paralelo entre história e realidade, indicando o que inspirou o uso de cada elemento.

Anjos da Morte

Apesar de ter lido o primeiro livro da trilogia em uma semana – o que considero uma leitura rápida (podia ser melhor, mas a reta final da faculdade está acabando comigo!) -, demorei mais para ler Anjos da Morte e o motivo é o que considero como única coisa que desgostei em toda a obra e que já entendi como um pequeno problema pessoal que tenho com os livros do Spohr: eu sempre demoro para me empolgar com a história por conta do estilo dos capítulos. No começo, é difícil entender a intenção do autor em focar tanto no passado de Denyel, mas logo que pegar o embalo, você não vai mais querer largar o livro, trust me.

Anjos da Morte

Ah! A parte estética do livro segue o padrão da série, que já comentei na resenha de Herdeiros de Atlântida: brochura, ilustração de capa de Stephan Stölting e ótima diagramação interna. E uma particularidade que encontramos em Anjos da Morte: mapas!

Avaliação: 4,5 xícaras

Com novos personagens e uma pegada bem diferente do primeiro livro da trilogia, Anjos da Morte é, segundo o próprio autor, o romance que ele sempre quis escrever. E que deveria ser leitura obrigatória aos fãs do gênero.

Já estou ansiosa pelo lançamento de Paraíso Perdido!

Anjos da Morte

Separei alguns aperitivos de leitura para vocês (sem spoilers!):

“[…] Ele era – ou melhor, havia se tornado – um camaleão social, um artista que se moldava aos cenários mais sórdidos, e ademais, na condição de anjo da morte, não tinha moral para julgar ninguém.” (p. 256)

“[…] Não há como deter o ciclo da vida, não existem meios de atrasar a roda do tempo, e, enquanto ela gira, os celestes continuam parados. Uma vez destinados à terra, os alados invariavelmente terminam como ele, torturados pela saudade, feridos pela nostalgia de uma era que eles, como imortais, nunca vivenciariam de fato.” (p. 369)

“Denyel tinha suas virtudes e falhas e, como a maioria dos anjos, estava longe de ser perfeito. Era um guerreiro nato, determinado e feroz, nunca deixava serviço incompleto, mas era também de personalidade crítica, sarcástica e debochada, traços incongruentes com o que se esperaria de um soldado padrão. Seu desencanto com a cisão dos arcanjos fora o que o estimulara a permanecer na terra, a se tornar um exilado, já que ele não confiava no discurso de Miguel nem era chegado à pregação dos rebeldes.” (p. 402)

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2 comentários em “Livro: Filhos do Éden #2 – Anjos da Morte (resenha)

  1. Eu adoro esse livro então sou muito suspeita pra falar mas tem como não amar o Denyel? hahhaaha
    E não vejo a hora de ler Paraíso Perdido ‘-‘

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