Livros

Livro: Delírio (resenha)

CapaDelirio-WEB

Título: Delírio (Delirium)
Autora: Lauren Oliver; editora: Intrínseca
Ano: 2012; páginas: 352

Amor deliria nervosa

“As doenças mais perigosas são aquelas que nos fazem acreditar que estamos bem.”

Provérbio 42, Shhh

Muito bem. A Cecil foi à Bienal 2013 no penúltimo dia catar promoções de livros – geralmente, no último final de semana, rolam umas promoções-relâmpago imperdíveis. Fica aqui a dica: NUNCA se arrisque a ir à Bienal sem estar financeiramente preparado. Nunca. É de chorar o tanto de livros que dá vontade de levar pra casa e você não pode.

De toda forma, ainda saí de lá com três livros na bolsa. E uma lista com 27 títulos e autores pra pesquisar pra comprar, porque ninguém é de ferro.

Enfim, é sobre um dos livros que eu comprei que eu vim falar hoje. Dei a sorte de encontrar Delírio na promoção, com aquela capa azul metálica maravilhosa (que não aparece na foto do post, mas ok, seguindo) que por si só já dá vontade de comprar. Evitei ler qualquer crítica sobre por dois motivos. Primeiro porque eu queria ler sem nada me influenciando a achar coisa x ou y sobre a história, e isso eventualmente acaba acontecendo quando você já conhece outras opiniões sobre o enredo. E segundo porque eu mesma desenvolvi certo preconceito com autoras novas. Alguns livros aí pelo meio do caminho me deixaram escaldada e eu fiquei com essa má impressão.

Pois bem: eu tive uma surpresa e tanto com Delírio. Não em relação ao enredo, mas quanto à escrita da Lauren Oliver. Eu acredito que um bom livro se deve, em grande parte, à forma de escrever do autor, às descrições, aos detalhes, aos diálogos. A riqueza das descrições de cenário e personagens; os devaneios e considerações de Lena, a personagem principal; os ditados, citações e regras do Shhh, sigla para Safety, Health and Happiness Handbook (em português Manual de Segurança, Saúde e Felicidade); as metáforas usadas para expressar os sentimentos da protagonista… Achei tudo muito bem construído, de uma forma que tem sido difícil de encontrar nos jovens autores que vem despontando.

Delírio é o primeiro livro de uma série que conta a história de Lena Haloway, uma jovem de 17 anos na Portland pós-saneamento prestes a passar pela intervenção médica que mudará sua vida e certificará sua segurança. Na Portland de Lena, o amor foi decretado como doença e há um manual específico que todos os habitantes, sejam estes curados ou não-curados, devem seguir a fim de manter a ordem na cidade e, também, de se manter longe de apuros.

Antes do saneamento, conta o governo por meio de livros de história, contos de alerta e até mesmo da Bíblia, o mundo era um lugar caótico e perigoso para se viver. Os seres humanos não tinham controle de suas emoções, o que os levava a se tornarem instáveis, violentos e imprevisíveis. A descoberta da cura para o amor deliria nervosa – nome pelo qual o amor passou a ser chamado – eliminou todos esses riscos da vida humana. Após passarem pela intervenção, todas as pessoas tinham a promessa de se tornarem livres do risco de se apaixonarem, e, consequentemente, se tornarem descontroladas e irascíveis. Após a intervenção, tinham a certeza de uma vida calma e estável, com um parceiro escolhido pelo governo por um processo de pareamento de histórico e interesses. Lena está há poucos dias de sua intervenção quando a narrativa começa. E é nesse meio tempo que ela conhece Alex.

Que eles vão se apaixonar, é óbvio e previsível, nem conta como spoiler. Todos os outros fatores que se seguem a isso, no entanto, não são nem óbvios nem tampouco previsíveis.

Para quem gosta de narrações elaboradas e cheias de pensamentos e devaneios do narrador da história (detalhe, aliás: a narração é em primeira pessoa. É uma raridade eu gostar de narrações em primeira pessoa, acho que esse livro é um dos poucos casos), Delírio é uma ótima indicação. Quem prefere algo que envolva mais diálogos e ação, pode não gostar tanto, mas acho a tentativa válida ainda assim. De histórias de amor, o universo literário está cheio. De uma que retrate o amor como uma doença, nem tanto.

Avaliação: 4 xícaras

Amor: uma única palavra, algo delicado, uma palavra que não é mais larga ou longa que uma lâmina. É o que ela é: uma lâmina, uma navalha. Ela corta pelo centro de sua vida, cortando tudo em duas partes. Antes e depois. O restante do mundo cai em ambos os lados.

Antes e depois – e durante, um momento que não é mais largo ou longo que uma lâmina.” (p. 237)

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4 comentários em “Livro: Delírio (resenha)

  1. Nossa, eu comecei a ler e já fiquei interessada pela forma como você disse que a Lauren Oliver constrói a narração, mas depois de saber sobre a história, estou com uma curiosidade que não cabe em mim e até pensando em pular a fila de livros que tenho que ler pra poder ler Delírio.

    Adorei a resenha e a indicação!

  2. Sempre que eu ouvia falar desse livro, ele nunca pareceu tão interessante quanto pareceu agora HAHA Resenha muito boa.
    Achei muito interessante essa coisa de “intervenção” que vai evitar que a pessoa ame. Nós faz pensar que se houvesse essa opção, será que a gente escolheria?

    Quando eu juntar dinheiro pra fazer a farra na feira do livro daqui, ele vai estar na lista.

    1. Que bom que tu curtiu *-* E essa é uma pergunta que eu fiquei me fazendo durante toda a leitura. E o pior é que eu tenho certeza que tem gente que optaria por, sim, passar por uma intervenção.

      Coloque na lista sim, depois venha correndo comentar comigo e

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