Filmes

Filme: A Onda (resenha)

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Título: Die Welle (A Onda)
Direção: Dennis Gansel
Roteiro: Dennis Gansel, Peter Thorwath
Elenco: Jürgen Vogel, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Frederick Lau, Christiane Paul
Ano: 2008; duração: 107 min; país: Alemanha

Die Welle: comunidade ou alienação?

Tirando as teias do meu espaço aqui no blog, resolvi trazer pro Chá de Prosa um filme que simples e literalmente caiu no meu colo quando eu menos esperava.

Eu não sou exatamente uma grande fã de filmes – não por não gostar, mas porque tenho uma certa preguiça de parar pra assistir mesmo, admito. E isso complica mais ainda se os filmes fugirem do padrão americano/britânico ao qual eu estou acostumada. Então é realmente surpreendente que um filme alemão exibido em uma das minhas aulas de Ciências Sociais – o que por si só já seria mais um motivo pra eu me desinteressar, que me perdoem os cientistas sociais de plantão – tenha me chamado tanto a atenção a ponto de eu me dispor a escrever sobre ele aqui no blog. Então mãos à obra.

A Onda retrata o dia-a-dia de uma classe escolar e a experiência de um professor, Mr. Wenger, ao tentar demonstrar de forma prática a facilidade com que um regime totalitário poderia ser implantado na Alemanha pós-Segunda Guerra. A intenção do professor é fazer com que os alunos assumam uma postura crítica ao perceberem os comportamentos aos quais estão sendo induzidos durante a experiência. No entanto, as ideias que o professor Wenger inicialmente tenta incutir em sua classe cresce de forma tão acelerada e perigosa na cabeça dos alunos que rapidamente sai de controle. O grupo de jovens que compõe a então chamada “A Onda” (ou “Die Welle“, em alemão) passa a se ver como algo à parte da sociedade, como uma associação seleta na qual apenas os membros que seguem estritamente as regras impostas podem ter voz e todo e qualquer um que for contra o pensamento daquela pequena comunidade não mereça ser levado em consideração.

(Pausa dramática pra comentar: o filme é baseado em fatos reais. Em 1967, um professor americano chamado Ron Jones fez o mesmo experimento com sua classe, em uma escola de ensino médio da Califórnia. Jones nomeou o experimento como “Third Wave”.)

O que começara como apenas uma aula sobre os princípios da autocracia vira uma bola de neve para a qual os alunos arrastam o professor sem que este mesmo perceba. Manifestações comportamentais violentas, vandalismo contra o patrimônio público e isolamento de pessoas com ideias diferentes são encarados dentro do contexto d’A Onda como uma forma de expressar o senso de comunidade que os jovens começavam a aprender – erroneamente – a construir. Quando Wenger se dá conta do caminho que sua ideia inicial está tomando, ele tenta retroceder para mostrar à classe o que havia acontecido naquela curta semana: como eles haviam passado de uma turma dispersa de sujeitos que pensavam de forma individual para uma comunidade articulada e forte em suas crenças, mas que pecava ao fechar os olhos para a sociedade real na qual estavam inseridos.

O desfecho do filme, ao meu primeiro olhar, foi bastante inesperado, mas ao tornar a assistir com olhos mais críticos – ou talvez por então já estar ciente do que esperar, vai saber – é possível perceber que não havia, realmente, outra forma de se encerrar a situação no estado de alheamento que alguns integrantes d’A Onda se encontravam. A crítica à manipulação do pensamento e à alienação provocada pela sensação de conforto e receptividade que a inclusão em certos tipos de grupos proporciona está presente no filme do início ao fim, e é exatamente o ponto que causa um incômodo inesperado num enredo tão aparentemente simples.

Avaliação: 5 xícaras

Vale a tentativa pra quem gosta de filmes pra parar e ficar refletindo sobre depois. Pra quem não gostar… Vale a tentativa ainda assim, porque o elenco dá um show de interpretação e alemão é muito gostoso de escutar. Na real. Ou não. Enfim, fica aí a dica de filme pra vocês.

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2 comentários em “Filme: A Onda (resenha)

  1. Esse filme é simplesmente sensacional, meu deus! Não acho que esse é o melhor filme do Dennis Gansel (e nem do perfeito do Max Riemelt), mas é de uma genialidade absurda. Eu acho muito bom como o Herr Wenger trabalha o sentimento de comunidade pra juntar as pessoas e como, a partir desse sentimento, tudo vai tomando uma proporção até chegar ao final, fazendo com que muitos deles nem percebam a dimensão que aquilo tomou.

    Amei a resenha!

    1. Eu fiquei muito encantada por esse filme, nossa. Do tipo chegar em casa da aula e baixar pra assistir de novo HAHAH
      Fico muito feliz que tu tenha gostado da resenha, principalmente conhecendo muito melhor que eu tanto a direção do Gansel quanto a atuação do Riemelt. Thanks *-*

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