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Livro: Filhos do Éden #1 – Herdeiros de Atlântida (resenha)

Filhos do Éden

Título: Filhos do Éden #1 – Herdeiros de Atlântida
Autor: Eduardo Spohr; editora: Verus
páginas: 473; ano: 2011

Fogo, gelo e alma

Grande dica para todo mundo que gosta de literatura fantástica e ainda não conhece o trabalho do escritor brasileiro Eduardo Spohr: pare tudo o que está fazendo e vá ler Herdeiros de Atlântida, primeiro livro da trilogia Filhos do Éden! Quem acompanha o blog já deve ter notado que eu sou uma grande fã do cara desde que li A Batalha do Apocalipse, no começo do ano. E, se você ainda não viu os outros posts sobre ele aqui no blog, confira a resenha de ABdA e a entrevista em podcast com o Eduardo.

Mas, queridos, o negócio é o seguinte: peguem todos os elogios que eu teci a respeito do Spohr até hoje e rasguem. Não! Não rasguem, guardem tudo em um potinho e se preparem, porque vou tentar explicar para vocês por que o começo da trilogia Filhos do Éden fez o autor crescer muito mais no meu conceito.

Filhos do Éden é ambientado no mesmo universo de A Batalha do Apocalipse, um mundo no qual anjos guerreiam entre si para definir o destino da raça humana. A história conta que Yahweh, o Criador, dissipou sua aura no Cosmo depois de dar vida ao universo e a todas as criaturas, deixando-as nas mãos dos 5 arcanjos, as criaturas celestes supremas. Alguns dos arcanjos, se sentindo injustiçados pelo Pai por ter dado aos humanos o privilégio de ter alma, resolvem se rebelar e lançam à Terra uma série de catástrofes com intenção de extinguir os homens. Com Lúcifer e sua horda banidos ao Inferno e Gabriel decidido a defender os humanos da tirania de seu irmão Miguel, o Príncipe dos Anjos, inicia-se uma guerra no Paraíso.

Apesar de dividirem o mesmo universo, em Herdeiros de Atlântida, somos afastados de Ablon, o anjo renegado protagonista de A Batalha do Apocalipse, e apresentados a novos personagens. Logo no começo do livro, conhecemos Levih e Urakin, dois anjos partidários das forças humanistas lideradas por Gabriel, que descem à Haled (a Terra) com a missão de encontrar Kaira, uma arconte – forma como são chamados os capitães celestes – que desapareceu enquanto cumpria uma importante missão secreta. Depois de encontrada, Kaira, que teve as memórias apagadas por anjos partidários de Miguel, precisa liderar sua pequena força de busca e retomar a antiga missão.

Eduardo Spohr me surpreendeu novamente ao mostrar que não só foi capaz de compor um universo riquíssimo em detalhes e incrivelmente lapidado, mas conseguiu extrair dele uma nova história, que se encaixa perfeitamente à primeira. Isso tudo poupando os personagens de uma continuação desnecessária e forçada da trama.

A Batalha do Apocalipse é um livro magnífico para quem gosta de literatura fantástica, muito épico e heróico, dotado de personagens fortes e independentes e uma trama bem composta, por isso, entendo perfeitamente aqueles que o consideram melhor do que a nova trilogia, mas, a meu ver, o primeiro grande romance de Spohr tinha uma fraqueza que foi resolvida em Filhos do Éden: a essência dos personagens.

Ablon, apesar de ser um excelente protagonista, é mais um herói idealizado do que uma criatura palpável. Esse estilo de personagem – inspirado em RPGs e HQs – não se mostra em Filhos do Éden. Eu tenho um fraco enorme por personagens multifacetados, aqueles que não são invencíveis e se mostram mais humanos e falhos em algumas situações, por isso, me encantei por, basicamente, todo mundo no livro.

Além de Kaira, uma ishim – casta de anjos responsável pelas forças elementais -, de Levih, um ofanim – anjo da guarda -, e Urakin, um querubim – anjo guerreiro -, Eduardo nos apresenta Denyel, também um querubim, um anjo exilado, que vive na Terra há muitos anos e que possui uma porção de vícios humanos, tanto na postura e modo de falar, quanto nos hábitos. Apesar de aparecer na história bem depois dos demais protagonistas, o personagem tem um crescimento enorme durante a trama e praticamente toma conta da história. Os vilões também são muito bem aproveitados, de forma que é completamente possível que você se apegue até mesmo a um antagonista da história, como foi o meu caso (Andril e Yaga me ganharam).

A narração é em terceira pessoa e, apesar de passar informações cruciais para a compreensão dos personagens, não revela tudo. Em momento algum a essência de algum deles é invadida pelo narrador. A impressão que temos é a de que o livro é narrado por outro anjo, que conhece os protagonistas e consegue fazer breves comentários a respeito da personalidade de cada um, mas que não é onisciente, portanto não tem acesso a tudo o que se passa na cabeça deles. Essa escolha de narração foi, na minha opinião, excelente. Spohr apresenta seus personagens e dá todas as ferramentas para que o leitor crie a sua própria percepção, mas não os entrega de forma mastigada.

Com ilustração de capa de Stephan Stölting, o mesmo de A Batalha do Apocalipse, o livro é um excelente trabalho editorial da Verus. A capa é fosca, com detalhes em alto-relevo tanto na frente quanto na lombada e sinopse na parte de trás, destacada em papel brilhante. A diagramação interna é excelente e torna a leitura ainda mais fluida e gostosa, com detalhes nos nomes dos capítulos e numeração de página. Apesar das 473 páginas, minha leitura durou pouco mais de uma semana, justamente por conta do estilo atrativo de narração do Eduardo Spohr associado à boa diagramação do conteúdo.

Filhos do Éden

É uma leitura que eu recomendo a qualquer um, desde os fãs de literatura fantástica àqueles que têm vontade de conhecer mais sobre o estilo. É um livro muito mais “didático” do que A Batalha do Apocalipse, tornando muito mais fácil a compreensão da composição do universo, existência de planos e outros detalhes da trama.

Outro detalhe muito interessante é a existência de páginas de apêndice, com explicações mais detalhadas das particularidades do livro, índice de personagens, linha do tempo dos acontecimentos e glossário. A leitura do apêndice não influencia, mas é um ótimo plus para a compreensão da história.

Se eu pudesse fazer um único pedido à Verus, seria para lançarem edições especiais de Filhos do Éden, com a capa dura e algumas ilustrações, no modelo da edição especial de ABdA. Para os fãs do Eduardo Spohr – como eu – seria uma aquisição e tanto para a estante.

Avaliação:  5 xícaras

E fica a dica do site oficial dos livros do Spohr, para quem tiver interesse de saber mais sobre a história, dar uma espiada no primeiro capítulo, ver o estudo de capas desenvolvido por Stephan Stölting, ouvir áudios exclusivos do livro e muitas outras coisas legais.

Já estou lendo o segundo livro da saga Filhos do Éden, Anjos da Morte, então podem aguardar, porque logo tem resenha dele também aqui no blog!

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11 comentários em “Livro: Filhos do Éden #1 – Herdeiros de Atlântida (resenha)

  1. Eu sempre vi esse livro nas prateleiras de livrarias aqui e sempre tive curiosidade! Agora vou ler mesmo! Principalmente porque fiquei curiosa sobre o Urakin xD

  2. Olha eu confesso que fiquei com medo de ler isso por que eu não quero saber muito mais do que já sei. Sobre esta trilogia ao contrario de ABdA eu escuto falarem maravilhas e deve ter a ver com este lance dos personagens (que é onde escuto as criticas mais duras sobre ABdA). Enfim depois que ler o código élfico que me chamou muita atenção, vou pegar para ler estes e daí sim poder opinar. (confesso que minha birra com o RPG faz eu ter uma certa birra com este universo mas deve passar).

  3. Triste pensar que não li ABdA até hoje por motivo de diagramação/distração com animes. hahaha
    Mas ouvi falar bem mesmo desta série, inclusive tenho um amigo que é bastante fã e diz que é realmente melhor do que ABdA. A única coisa que eu não gosto muito é a ilustração da capa, pois me lembra a capa de um dos livros de Percy Jackson. Mas a capa de Anjos da Morte é tão linda que faz compensar isso. *-*

    1. Dos 3 livros do Spohr que tenho, a capa de Herdeiros de Atlântida é realmente a que chama menos atenção. E a de Anjos da Morte é a minha preferida.

      Você precisa ler logo ABdA pra poder ler FdE, Jess!

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