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Filme: Samurai X (resenha)

rurouni kenshin samurai x

Título: Rurouni Kenshin: Meiji kenkaku roman tan (Samurai X)
Direção: Keishi Ohtomo; roteiro: Nobuhiro Watsuki (mangá), Kiyomi Fujii, Keishi Ohtomo; elenco: Takeru Satô, Emi Takei, Munetaka Aoki, Yû Aoi, Teruyuki Kagawa, Taketo Tanaka.
Ano: 2012; duração: 134 minutos; país: Japão.

Um assassino, um andarilho e uma espada que não mata

Se for pra citar três animes que marcaram minha pré-adolescência, eu com certeza teria que dizer InuYasha, Yu Yu Hakusho e Rurouni Kenshin (a.k.a. Samurai X). Me lembro perfeitamente das tardes que passava assistindo Cartoon Network e comendo biscoitos, imaginando o quão incrível seria viver em uma realidade repleta de youkais, samurais, monges e lutas de espada com movimentos praticamente sobre-humanos. Eu tenho uma pira enorme em todos os tipos de universos fantásticos – e tenho a impressão que já comentei isso em outros posts por aqui. E essa coisa se estende até mesmo àqueles onde as cores apagadas do nosso mundo físico dão lugar aos traços fortes e ao exagero de expressões dos mangás e animes.

Resumindo, a saga de Kenshin Himura, um ex-assassino que faz um voto de nunca mais matar, me intrigava muito já em formato mangá/anime. Nem preciso dizer o quanto me encantou ver Kenshin criar vida no “mundo físico” com uma interpretação sublime de Takeru Satô.

Antes de começar a falar do filme, acho importante tentar entender o contexto histórico em que se passa a trama. Eu sei muito pouco sobre história do Japão, então vou tentar explicar agora um pouco do que entendi lendo alguns artigos online: Entre os séculos XVII e XIX, estabeleceu-se no Japão o Período Edo, caracterizado pelo xogunato – chamado pelo historiador Edwin O. Reischauer de “feudalismo centralizado” -, no qual o poder era delegado aos xoguns (comandantes de exército) e o imperador se tornava uma figura pública sem poder real no quadro político. Nesse período, o Japão era uma nação “atrasada”, com economia baseada na produção agrária. Resistindo à expansão econômica ocidental, o governo vigente adotou uma política de isolamento, mas sem promover melhoras à situação do país. Por consequência da Guerra do Ópio (entre Inglaterra e China), em 1840, o Japão se viu obrigado a abrir seus portos para o comércio. O ministro Ii Naosuke assinou o Tratado Harris (acordo de comércio entre Estados Unidos e Japão) sem o consentimento do imperador e foi assassinado. Isso foi o estopim para o descontentamento da população japonesa e início da Restauração Meiji. Durante a Guerra Boshin, duas frentes encabeçavam a batalha: os pró-imperialistas (monarquistas que queriam a volta do poder às mãos do imperador) e os que apoiavam o xogunato. A vitória dos monarquistas deu origem a Era Meiji em 1868.

Para quem quiser uma explicação mais extensa do contexto histórico japonês nesse período, indico a leitura do artigo do professor Pablo Magalhães, publicado n’ O Historiante , que me ajudou muito a escrever esse parágrafo.

Voltamos agora a falar propriamente do querido Kenshin Himura, protagonista da história. Onde ele entra nesse contexto? Bom, quem conhece o mangá ou o anime já sabe, mas no filme isso não fica claro. Kenshin era um hitokiri (assassino) a serviço do Ishin Shishi, um grupo político ativista anti-xogunato. Durante a Guerra Boshin, Kenshin foi responsável pela morte de muitos defensores do regime xogum e, mesmo com a vitória na guerra, criou grande remorso pelas vidas que tirou e fez um voto de nunca mais matar.

Depois de vagar pelo Japão como um andarilho durante dez anos, Kenshin conhece uma dona de dojo chamada Kaoru Kamiya, que depois de alguns rolos envolvendo a trama – que ficam mais interessantes sem spoilers – convida o rapaz a permanecer por lá. Apesar de tentar levar uma vida normal e fugir de sua antiga identidade como Hitokiri Battousai (apelido herdado por conta de seu antigo trabalho como assassino e pelo estilo de luta), uma cicatriz em forma de X no rosto acaba tornando fácil que seja reconhecido pelos guerreiros que também lutaram na Guerra Boshin.

O filme começa propriamente com cenas da guerra, que podem se tornar meio confusas para quem não sabe o que esperar da história, mas que remetem fortemente ao cenário de batalha adotado no anime – representado até mesmo por uma breve cena na abertura da primeira temporada. Aliás, toda a caracterização do filme é fortemente baseada no anime e foi uma das coisas que me deixou mais fascinada pela produção – sem brincadeira, eu não podia abrir a boca durante o filme sem soltar um “que foda”. Passei algumas cenas reclamando da roupa que o Kenshin usa, que não é a mesma do anime – porque fui chata nesse nível mesmo, já que todo o resto da caracterização dos personagens parecia não conhecer erros -, mas em um dado momento, a Kaoru oferece a ele algumas roupas que eram do pai dela e adivinhem: era a maldita roupa igual à do anime.

De todos os personagens, os que me chamaram mais atenção foram os mesmos que eu já curtia desde pequena: Kenshin e Sanosuke. A atuação de Takeru Satô como Kenshin me deixou até boba. As expressões faciais e o jeito meio inocente e bobo do andarilho foram retratados de forma muito fiel. Ele era praticamente o samurai que eu tanto amava quando era novinha em versão carne e osso. E não posso deixar de comentar do Munetaka Aoki no papel de Sanosuke Sagara. A postura expansiva do briguento estava toda lá nos gestos do ator até mesmo em detalhes como o manejo da zambatou (sua espada que corta cavalos) e o modo como o personagem carrega a arma.

As cenas de luta merecem um parágrafo à parte. Lá no começo do texto, eu comentei sobre os movimentos sobre-humanos dos personagens e, apesar de algumas cenas mais “viajadas” terem forçado um pouco nos efeitos, o estilo de luta de cada personagem foi mantido ao máximo da capacidade humana neste mundinho chato e limitado que é o nosso.

Se tem alguma coisa que eu tive vontade de reclamar nas duas vezes que assisti o filme, foi o mau aproveitamento do Yahiko Myojin na trama. O personagem órfão que vive acompanhando a Kaoru era muito marcante no anime e se tornou algo extremamente dispensável no filme. Você praticamente esquece que ele está lá e é fácil notar que ele só foi incluído no longa por respeito à história original. Mas não dá para julgar muito também. Deve ter sido extremamente complicado selecionar os acontecimentos do filme para representar a essência de um mangá que teve 56 volumes.

Avaliação:  onigiris avaliação(4,5/5; e pausa pros onigiris temáticos sorridentes.)

Para facilitar a vida de quem assistiu ou tiver interesse de assistir o filme sem conhecer o mangá ou o anime, preparei um pequeno glossário de vocabulário e expressões que aparecem durante o longa, pra ninguém se perder no japonês:

battoujutsu – estilo de luta japonês que consiste no manejo de uma espada – katana – e com intuito de causar um corte;
battousai – mestre no manejo de espada;
dojo – local de treinamento de artes marciais;
hitokiri – nome dado a assassinos que utilizam espadas como arma;
katana – um dos estilos tradicionais de espadas japonesas;
“Meiji kenkaku roman tan” – Subtítulo do filme, em tradução livre “crônicas de um espadachim da Era Meiji”;
rurouni – termo criado por Nobuhiro Watsuki, que pode ser entendido como “andarilho”;
sakabatou – espada com a lâmina invertida;
zambatou – espada que corta cavalos (o próprio Sanosuke explica o termo no filme).

rurouni kenshin samurai x

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9 comentários em “Filme: Samurai X (resenha)

  1. Não sei ao certo as razões, mas nunca me interessei muito por esse anime na minha infância. Não conhecia muito bem a história e acho que só devo ter visto uns dois episódios. Talvez eu não tivesse maturidade para gostar e preferisse os animes de lutinhas com poderes, como Naruto. Mas o contexto histórico é realmente muito interessante e imagino o quanto deve ter sido legal ver a representação em um filme tão fiel ao anime, sendo isso tão difícil. Gostei da história, de repente invento de ver uma hora dessas. :)

    1. De repente, invento de te obrigar a ver comigo uma hora dessas, Jess! HAHA Nossa, animes de luta eram muito bons, mas eu sempre me envolvia com esses enredos diferentes e, principalmente, com os que tratavam de períodos históricos.

  2. Adorei a resenha. Amo Rurouni Kenshin há muito tempo, não cheguei a assistir tanto o animê, mas acompanhei o mangá e amava aquelas notas sobre a história do Japão. Esse periodo é realmente facinante e o autor consegue mesclar uma história fictícia que faz você pensar se ela realmente não aconteceu, ainda mais sabendo que o Kenshin foi baseado em gente que existiu !!
    Parabéns pela reesnha mais uma vez!!

    1. Eu acompanhei pouco o mangá. Curtia bem mais o anime porque era complicado ficar comprando tantos mangás na época e eu sempre perdia uns volumes e ficava nervosa com isso. Mas, nossa, o enredo de Rurouni Kenshin é um dos melhores que conheço de mangá/anime. Sempre bom achar gente que também curte.
      E obrigada!

  3. Você não tem ideia o quanto EU AMOR FOREVER E PARA TODO SEMPRE AMOR VERDADEIRO AMOR ETERNO RUROUNI KENSHIN. Sempre foi meu anime/manga favorito tanto que é a minha coleção de manga maior. Eu não vi este filme ainda por pura preguiça de ver filme que eu ano x.x falha minha mas estes dias eu li que no próximo vai ter os meus dois personagens favoritos além do próprio Kenshin que é o Aoshi e o Soujirou, daí serei realmente obrigada a rever esta minha falha. Na verdade agora eu fiquei com vontade de ver filme, rever anime, reler manga e fazer cosplay tudo de uma vez. E cara pq a gente nunca conversou sobre animes direito, os que tu mais curte são os q eu mais curto pelo visto. Nesse sentido acho que temos gostos até q meio parecidos. E WORDPRESS FAZ FAVOR DE N ENGOLIR MEU COMENT!

    1. WordPress sacana! HAHA Cara, preciso assistir de novo. Eu era muito viciada no anime e já não lembro quase nada da história. Devemos falar mais sobre animes! <3

  4. Nunca assisti o anime mas adoro esses filmes japoneses que eles saem correndo e começam a voar do nada hahaha
    Além de nas cenas de luta parece que eles estão dançando! <3
    Vou procurar esse filme pra ver!

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