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Filme: O Corvo (resenha)

the crow eric draven o corvo brandon lee

Título: The Crow (O Corvo)
Direção: Alex Proyas; roteiro: James O’Barr e David J. Schow; elenco: Brandon Lee, Rochelle Davis, Ernie Hudson, Michael Wincott, Bai Ling, Sofia Shinas.
Ano: 1994; duração: 102 minutos; país: Estados Unidos

“Nothing is Trivial”

 Não sei em que universo esse filme se escondeu de mim durante todos esses anos, mas quando finalmente assisti “O Corvo” tudo em que conseguia pensar era que Eric Draven, o magnífico personagem interpretado por Brandon Lee, nunca mais sairia da minha cabeça.

Não sei nem dizer o quanto eu gosto de filmes em ambientes escuros, com um clima mais mórbido e misterioso. Talvez por isso eu tenha casos de amor com todos os filmes do Tim Burton que já vi, mas deixo isso para um outro post. O assunto de hoje é O Corvo, filme de 1994, dirigido por Alex Proyas – que também dirigiu Presságio, o maior exemplo de como o fim pode destruir um filme bacana – e estrelado por Brandon Lee, filho da maior referência em artes marciais da história do cinema, a.k.a. Bruce Lee.

Eu nunca tinha visto outro filme com o Brandon. Pesquisando no IMDb, vi que além de algumas participações em séries de TV, a carreira dele não ultrapassou alguns filmes não muito conhecidos. O papel de Eric Draven tinha tudo para ser a grande guinada da carreira do Brandon, mas a trágica morte do ator dentro do set de gravação impediu isso e imortalizou Brandon na pele do Corvo.

Deixemos um pouco de lado essa história da morte e eu retomo ela mais pra frente. O filme começa em uma cena de crime e conta um pouco sobre o assassinato de Eric Draven e Shelly Webster na Devil’s Night (a noite antes do Halloween). Dando um pulo no tempo, o filme avança para o aniversário de um ano da morte do casal e conta a lenda que envolve todo o resto do filme: quando uma pessoa morre, um corvo carrega sua alma para o reino dos mortos. Quando essa morte envolveu muita dor e injustiça, a alma pode ficar presa no mundo dos vivos e, em alguns casos, o corvo pode trazer a pessoa de volta à vida para arrumar o que ficou errado.

Imagino que agora vocês já saibam o que acontece. Eric volta ao mundo dos vivos para vingar o que fizeram a ele e sua noiva. Um grande clichê, eu concordo, e extremamente previsível. E acho que foi isso que me conquistou tanto e me fez assistir ao filme três vezes em menos de um mês: ele não tenta não ser clichê, não tenta ser cult, não tenta ganhar um Oscar. O filme me ganhou pela sinceridade, pelo ambiente obscuro, pelas frases de efeito e, principalmente, por Eric Draven e Brandon Lee.

Voltamos, então, a falar sobre os dois – personagem e ator – e no quanto eu acredito que eles nasceram um para o outro. Eu tenho esse fascínio por escritores e atores desde sempre. Pretendo estudar Artes Cênicas e meu maior sonho é ser escritora. E a forma como o Brandon deu vida ao Eric no filme seria o conceito de atuação que eu buscaria nos papeis que interpretasse, e também é dessa forma que eu amaria ver um ator interpretar um personagem que eu tivesse criado. Você não só acompanha Eric no filme. Você segue o Eric, sente o Eric, se preocupa e se envolve com ele.

E pra quem gosta – assim como eu – de coisas estranhas e sem explicação, ainda existe toda a tristeza e as “lendas” que envolvem os bastidores. Se você também é desses que procura listas de mortes mais bizarras e coisa do tipo na internet, você já sabe do que eu estou falando. Comentei lá no começo do post sobre a trágica morte do Brandon Lee. Pois bem, em 1993, durante a gravação do filme, um erro envolvendo armas, balas de festim e reais, bolsas de sangue falso e pólvora acabou causando a morte prematura do protagonista, então com 28 anos. Dizem que Brandon morreu durante a gravação da morte de seu personagem e se isso já não fosse estranho o suficiente, no fim do filme, antes dos créditos, aparece a dedicatória “Para Brandon e Eliza”, que se casariam em menos de um mês – não esqueçam que, na trama, Eric e sua noiva são assassinados na véspera do casamento. Acha pouco? Lembre que Bruce Lee morreu cedo também, aos 32 anos, depois de uma reação estranha a um analgésico. Isso abriu brecha para rumores acerca de uma “maldição de família”.

Mas isso tudo não tem muito a ver com o filme, afinal. Além de tudo o que eu já falei por aqui, também é importante comentar que a trilha sonora é um espetáculo por si só. Com nomes como Pantera, Nine Inch Nails, The Cure, Rage Against the Machine e Stone Temple Pilots – a música Big Empty vai estar infinitamente associada ao filme para mim – não tinha como ser menos do que genial.

A trama d’O Corvo vem de uma série de história em quadrinhos criada por James O’Barr e originou, além da adaptação para cinema, uma série de TV canadense (The Crow: Stairway to Heaven) de 22 episódios lançada em 1998, com Mark Dacascos no papel principal. O filme também teve três continuações – mesmo universo, mas tramas e personagens diferentes. No ano que vem, está prevista a estreia de um reboot do Corvo, agora com direção de Stephen Norrington, que promete ter uma vibe bem diferente da original, com cenários mais realistas e menos “góticos”. Ainda não consegui ler a HQ, nem assistir às sequências e ao seriado, mas os comentários que vejo por aí é de que a HQ é algo fora de série, mas que nenhuma das sequências e nem o seriado chegaram à altura do trabalho de Alex Proyas e Brandon Lee. Quanto a esse reboot, vamos fazer aquilo que fazemos sempre que Hollywood anuncia remake/reboot de algum filme clássico: rezar. Muito.

Avaliação: corvos ravens crows  (5/5 – e mereceu até os corvinhos temáticos)

Se em mais de 1000 palavras, eu ainda não consegui te convencer a ver o filme, não veja. Não é pro gosto de qualquer um mesmo e muitos achariam desnecessário, macabro, nonsense ou qualquer outra coisa. Mas para os que aceitam indicações feitas de todo coração, dêem uma chance a Eric Draven, o personagem que me conquistou completamente em apenas 102 minutos.

the crow it can't rain all the time

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10 comentários em “Filme: O Corvo (resenha)

  1. Faz muuuuuuito tempo que vi este filme e mesmo eu adorando o tema, o clima e tudo mais eu não cheguei a me apegar a ele por algum motivo que não sei dizer, mas de tanto você falar, encher o saco na verdade xD, eu vou pegar para assistir e ver o que acho dessa vez.

  2. Eu adoro esse filme, mesmo com os clichês, o ambiente escuro do filme não me incomoda (provavelmente por também estar acostumada com os ambientes dos filmes do Tim Burton) e sempre me senti impressionada pelo Brandon Lee e eu chegava a ter um “crush” por ele quando pequena, sempre achei que ele se entregou totalmente no papel, durante o filme eu acho que dá pra emergir na história e se sentir na pele do Eric.

    E quando eu era criança passava a série na record (ou na Band, difícil lembrar) e eu assistia com meus pais, esperando ansiosamente pelo momento que finalmente Eric encontraria a noiva do outro lado da ponte.

    O filme, a série e o Brandon tem lugares especiais no meu coração há pelo menos 10 anos e sei que vai continuar assim.

    1. Eu não conheci quando pequena, Letícia, mas eu sinto o mesmo que você em relação ao Brandon. Também acho que ele se entregou completamente ali. Ele deu uns detalhes pro personagem que eu achei geniais demais. Vou atrás da série!

  3. “Se você também é desses que procura listas de mortes mais bizarras e coisa do tipo na internet, você já sabe do que eu estou falando.” HAHAH É, sou.

    Vou te falar que eu sempre tive vontade de assistir a esse filme só por causa da morte do Brandon, como grande parte de quem assistiu deve ter tido. Mas tua resenha me despertou mais vontade ainda de ver pela história em si, pelo personagem do filme. A morte do Brandon foi jogada lá pra trás nas minhas prioridades pra ver o filme depois disso. Eu amo filmes e livros com ambientes escuros e pesados, acho que eles tem uma beleza diferente, um impacto maior. Por isso amo filmes de terror.
    Parece realmente muito bom. E eu amei essa explicação sobre o corpo!
    Vou procurar pra assistir com certeza.

    1. Essa parte das listas foi muito pra você, porque te conheço. E espero que eu tenha mesmo conseguido te convencer a dar uma chance ao filme pelo Eric acima do motivo que tu já tinha pra querer ver. Assista e me diga o que achou.

  4. Cara, tem uma coisa nessa sua resenha que me convenceu absurdamente a assisti o filme: Pantera na trilha sonora. E, olha só, tem Nine Inch Nails também!

    Ai, não, sério, fiquei muito curiosa pra ver o filme desde que comecei a fazer Ving Tsun (porque foi onde o Bruce Lee começou), já que a minha mãe me contou algumas milhões de vezes sobre essa lenda do Brandon Lee no filme, acerca da morte dele nas gravações e tudo o mais, e porque é um filme que ela gosta. E pra minha mãe gostar de um filme estadunidense é muito, muito, muito difícil.

    Adorei a sua resenha, muito sério. Quero assistir esse filme o quanto antes (que nem fiz com Donnie Darko e com Monster UAHSUA AI, VOCÊS, GAROTAS <3).

    1. A trilha sonora desse filme é algo impossível de se ignorar. Eu vou ser eterna baba ovo de Stone Temple Pilots por conta de Big Empty, porque essa música é perfeita pro filme. PERFEITA.

      E você não me disse o que achou de Donnie Darko! Isso não se faz. Eu quero saber sua opinião, seja por aqui, Plurk, AIM, FB ou celular. Dê um jeito.

      Sou fã da sua mãe, já disse isso?

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