Livros

Livro: No Direction Home (resenha)

Bob Dylan poeta

Título: No Direction Home – A vida e a música de Bob Dylan
autor: Robert Shelton; atualizado por: Elizabeth Thomson e Patrick Humphries
tradutor: Gustavo Mesquita; editora: Larousse / Lafonte
páginas: 734; ano: 2011 (originalmente publicado em 1986)

700 páginas de Bob Dylan

“Eu acredito que um poeta é qualquer pessoa que não se chamaria de poeta. Qualquer pessoa que pense em se considerar um poeta simplesmente não pode ser um poeta. Eles simplesmente se acomodaram na romantização dos seus ancestrais e no conhecimento histórico de fatos que nunca aconteceram. E gostam de pensar que estão um pouco acima disso tudo. Quando as pessoas começam a me chamar de poeta eu digo: ‘Ah, que bacana, que bacana ser chamado de poeta’. Mas vou dizer uma coisa, isso não me faz bem algum. Não me deixou nada mais feliz.”

(Bob Dylan)

Ganhei o No Direction Home dos amigos no meu último aniversário. Lembro perfeitamente do quão empolgada eu fiquei quando segurei o livro nas mãos e soube que ia ler a melhor biografia já publicada sobre Bob Dylan. Era isso que eu tinha ouvido falar sobre a grande obra da vida de Robert Shelton: que não havia trabalho que chegasse aos pés dele no que diz respeito à vida e à obra de um dos grandes nomes da música de todos os tempos.

Então, depois de muito enrolar – porque sou dessas que tem muito mais livros do que consegue ler – eu finalmente terminei de ler o livro esta semana e achei que todo mundo deveria conhecer um pouco sobre ele.

Robert Shelton, para quem nunca ouviu o nome antes, foi o colunista do The New York Times que, em 1961, publicou a crítica “Bob Dylan: a distinctive style”, considerada como o artigo que impulsionou a carreira do jovem – na época, com 20 anos – e o tornou o grande nome do folk mundial. Conforme a carreira de Dylan crescia, Robert a acompanhava em cada momento, até ter a ideia, anos depois, de escrever um livro sobre o artista. O único – dizem – que conta com a colaboração de Dylan.

O livro é muito diferente do que eu imaginava. Ele não se foca em narrar a vida privada do artista. A parte que trata da família e da infância dele é incrivelmente curta. Shelton se preocupa muito mais em contar sobre o começo da carreira de Dylan, os pontos altos, os baixos, as interpretações e histórias por trás das músicas e a relação dele com o músico ao longo dos 20 anos que dedicou à produção da obra.

É um livro incrível, desses para se ter na estante para sempre. Um título e tanto para qualquer biblioteca pessoal. Mas como nem tudo são flores, levei muito mais tempo do que pretendia para conseguir ler. E não foi por abandonar e retomar a leitura. Foi pela densidade da obra mesmo.

Eu sou apaixonada pelas músicas do Bob Dylan já há algum tempo, mas passo longe de ser especialista na obra dele. No Direction Home conta detalhes das parcerias de Dylan com artistas da época como Joan Baez, sua admiração pelo folk de Woody Guthrie, sua amizade com o escritor beat Allen Ginsberg, além de análises do autor sobre todas as músicas lançadas até a publicação do livro. Quem não conhece – como eu – todos os álbuns do músico e não viveu a época para conhecer as dezenas de nomes mencionados, se sente um pouco perdido.

Shelton foi incrível por reunir tanta informação, por imortalizar uma época tão conturbada da carreira de Dylan. Foi um verdadeiro exemplo para qualquer jornalista e escritor, mas talvez tenha pecado pela não preocupação com as gerações futuras que viessem a conhecer seu grande trabalho. Gerações que talvez se sentissem um pouco perdidas em meio à avalanche de informações que parece muito pesada para as “breves” 734 páginas do livro.

Avaliação: 3,5 xícaras(3,5/5)

Eu acredito que esse tenha sido o motivo da minha demora para terminar de ler. Eu dificilmente leio em casa. Leio na rua, no ônibus, no campus, no trabalho, mas quase nunca em casa. E sou curiosa demais para deixar passar algo que não compreenda. Tantas vezes, eu interrompia a leitura para pesquisar quem foi um dos nomes citados, ouvir uma das músicas interpretadas, procurar mais informações sobre alguma das passagens do livro que eu talvez devesse entender de primeira, mas não entendia. O tempo foi muito ruim comigo por não me permitir viver a época de Woodstock.

Quanto a Dylan, o livro narra os motivos que o levaram a ser conhecido como uma pessoa amarga. Ser vaiado pela mesma juventude que ovacionou suas músicas de protesto deve ser algo que deixa qualquer artista mais fechado. Uma juventude que se julgava tão aberta de pensamento e que renegou um ídolo por ter se arriscado a fazer algo diferente me fez pensar bastante. Me fez pensar no meu próprio conceito de “mente aberta”, no que eu faria se um dos meus ídolos resolvesse mudar de ares e produzir algo totalmente diferente do estilo que o fez famoso. Eu quero acreditar que não seria como essa juventude que tanto me chocou.

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