Livros

Livro: A Casa dos Budas Ditosos (resenha)

budasditosos

Título: A Casa dos Budas Ditosos (Coleção Plenos Pecados)
autor: João Ubaldo Ribeiro; editora: Objetiva
páginas: 163; ano: 1999

Tudo no mundo é secreto.

Pensei muito se falava deste livro aqui, porque não é todo mundo que vai gostar. Mas vamos começar pelo real começo…

João Ubaldo Ribeiro faz parte de uma das listas mais importantes da minha vida: a de escritores que me ensinaram a ler livros. Lembro até hoje de ter me envolvido com a Vida e paixão de Pandonar, o cruel, participado d’A Vingança de Charles Tiburone e não ter entendido absolutamente nada de Sargento Getúlio. A questão é que passaram os anos, eu deixei Ubaldo lá na minha infância, esqueci totalmente e fui conhecer novos escritores. Mais de dez anos depois, em 2011, eu tomei conhecimento de A Casa dos Budas Ditosos, eu reencontrei Ubaldo. Mas eu era outra pessoa, minha idade passava do dobro, eu não sabia se estava preparada para lê-lo falando de luxúria. E depois de arriscar, de terminar a última página, a sensação foi a de reencontrar um velho amigo que eu não via há muitos anos e parecer que o tempo não passara nem um segundo sequer.

Esse é o motivo pelo qual eu não tinha certeza se falaria sobre esse livro aqui, porque a minha relação com ele é em grande parte sentimental – apesar de ser, sim, um livro sensacional –, nem todos podem ter a mesma relação que eu tive com ele. Porque é um livro que fala sobre luxúria. É um livro que fala de luxúria. É um livro que narra a luxúria em sua versão mais essencial. Não há pudor ou tabu algum.

No início há uma nota do autor revelando que ao ser publicado que ele seria o responsável pelo tema da luxúria nesta coleção, chegou um pacote com uma fita na qual havia um relato verídico e um bilhete que pedia que esse relato fosse publicado como livro. João Ubaldo Ribeiro poderia publicar como autoria própria, mas a pessoa pedia que ele dissesse de onde veio: “Não por vaidade, pois até as iniciais abaixo podem ser falsas, mas porque é irresistível deixar as pessoas sem saber no que acreditar.”.

E assim temos a história. Com nomes fictícios, é o relato de uma senhora de 68, muito doente, contando toda a história de luxúria da vida dela. E ela realmente tem muita coisa para contar. Desde as primeiras experiências sexuais, o que aprendeu com amigos e pessoas que foi conhecendo, o que acabou descobrindo sozinha, as milhares de possibilidades. De forma descontraída, a narradora vai ligando uma história à outra colocando todas em um contexto. É um relato inteiro, não fragmentos da história. No começo de tudo, a narração pode causar certa estranheza, pois é realmente um relato, a sensação é de estar ouvindo alguém contar uma história. Mas conforme a leitura vai fluindo, o leitor é envolvido naquele tipo de narração, não dá vontade de parar. Por conta da narração ser nesse formato, as cenas de sexo não são altamente detalhadas, até porque a narradora não se detém muito a narrar parte por parte de cada situação. Mas não se engane: o sexo é gráfico, com as palavras mais coloquiais possíveis para descrever tudo que envolve o ato sexual.

É um livro que dá muitos tapas na cara de quem se diz “cabeça aberta”. A narradora filosofa sobre assuntos como feminismo, bissexualidade, adultério, incesto, questões de gênero e comportamento sexual. Não há amor. Eu me descobri sendo muito mais conservadora do que eu pensava que podia ser, abriu a minha mente. Mas, ao mesmo tempo, é um livro muito divertido e engraçado, muitas vezes eu me peguei gargalhando com certas coisas que a narradora dizia mesmo sem elas serem piadas ou qualquer coisa do gênero. É um contraponto interessante.

Avaliação: 4 xícaras (4/5)

Só pra ilustrar o que eu quero dizer: a vida sexual da narradora começa ainda na infância, e de maneira altamente espontânea, ela simplesmente agarra um dos filhos de ex-escravos que ainda vivem na fazenda e diz “chupe aqui”.

E esse é o único spoiler que eu darei.

Quem se arrisca?

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6 comentários em “Livro: A Casa dos Budas Ditosos (resenha)

  1. Muito bom o post e de total desinteresse que eu tinha, agora até que fiquei curiosa.Mas não sei se irei gostar, tenho a sensação que não gostaria por sei lá, não costuma ser o time de coisa que eu leio, mas lendo o que tu escreveu pode ser que eu goste muito mais do que imagino a principio, vou colocar na lista de possíveis, to bem curiosa.

    1. É, foge bastante da temática que tu prefere mesmo. Quem tá acostumado com bastante ação durante a leitura vai achar esse livro um tanto monótono. Mas é só olhar pra ele com olhos de quem sabe o que esperar. Eu ainda recomendo que tu leia, vai rir bastante.

  2. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro e fiquei super curiosa por causa do post. Eu adoro quebra de tabus e qualquer coisa que assuma essa postura mais cabeça aberta. Vou parar pra ler qualquer dia, com certeza.

    1. Sempre que a gente falava de 50 shades, eu lembrava dele, não sei como não te falei HAHA
      Eu tenho certeza que tu vai gostar, a narradora coloca os tabus em pauta com a mesma sutileza de um soco na cara. Eu queria poder falar vários trechos que eu achei sensacionais aqui. x.x
      Aproveita que é bem curtinho e leia quando quiser se distrair de alguma leitura mais pesada, o livro é leve, apesar da temática polêmica.

  3. Sempre que você fala desse livro, eu fico com vontade de ler e agora não foi diferente. O mais impressionante é que a sedução maior sempre foi provocada pelos quotes do livro que você me mandava e, dessa vez, não teve, mas a sedução continuou sendo a mesma.
    Preciso, preciso muito, desabafar aqui que é incrível o quanto amo tudo o que você escreve e que me impressiona como me sinto bem ao ler algo seu, como sempre fico sorrindo, depois, só de lembrar disso. Parabéns pelo texto!

    1. Já te falei mil vezes que tu vai amar. Queria poder postar aqueles quotes aqui x.x
      Que bom que gosta, sério mesmo. Fiquei até emocionada por tu dizer isso, porque eu sinto que atingi o objetivo de me expressar bem. Obrigada!

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