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Livro: O sol é para todos (resenha)

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Título: O Sol É Para Todos (To Kill a Mockingbird)
autor: Harper Lee; editora: Círculo do Livro
páginas: 317; ano: 1960

De crianças e pássaros imitadores

Eu fui apresentada a “O Sol É Para Todos” por volta de uns dez anos atrás, segundo as minhas contas. É paixão antiga. Foi apenas mais uma das várias sugestões literárias com as quais minha mãe me presenteou – ela, aliás, que tem um bom gosto invejável para livros, para minha sorte. Perdi as contas de quantas vezes esse livro me foi companheiro durante a infância e a adolescência. Recentemente, no entanto, ao precisar relê-lo para uma das disciplinas de literatura da faculdade, eu redescobri todas as sensações que este livro pode causar em alguém.

Existem livros que mudam de faceta dependendo do momento que você esteja vivenciando. Essa mudança se dá de acordo com a sua própria mudança como pessoa, sua própria visão de mundo, seu próprio amadurecimento. Eu posso dizer que “O Sol É Para Todos” tem esse efeito em mim. Durante esses últimos dez anos, a cada vez que li esse livro, ele me passou uma mensagem diferente. E apesar de ter sido escrito em 1960, com uma temática voltada para o comportamento da sociedade americana dos anos 30, o livro é bastante atemporal. Não somente pela situação que retrata – algo muito cabível de se acontecer mesmo nos dias de hoje, onde muito do preconceito contra raças já foi extirpado –, mas pelos pareceres que dá sobre o comportamento humano, pelas colocações sobre a convivência em comunidade, pelo conceito de família que apresenta e a forma que essas relações familiares se constroem e se desenvolvem no decorrer da narrativa.

Um ponto que sempre me chama a atenção é a forma como a história parece bem mais leve ao ser contada na visão de uma menina de dez anos – Jean Scout Finch, ou simplesmente, Scout.  Aos olhos infantis da menina, todo o julgamento conduzido por seu pai, Atticus Finch, para defender o negro Tom Robinson da acusação injusta de estupro contra a filha mais velha dos Ewell é sem sentido; se não há provas e todas as evidências apontam a inocência de Robinson, por que ele não é libertado? A inocência demonstrada pela menina frente ao preconceito racial claramente existente em seu país é tocante.

Há ainda o vizinho misterioso da casa da frente, Boo Radley, que vem para dar um leve toque de aventura à narrativa infantil de Scout. Ou, pelo menos, ela assim parece pensar, do alto de seus dez anos. Certamente, ao olhar para trás e rever a história que contara, Scout perceberia Boo Radley como bem mais que uma aventura infantil; ele representa apenas mais um dos vários aspectos sociais que o livro se pretende a abordar.

Avaliação: 5 xícaras

De leitura suave e agradável, mesmo contendo uma temática delicada de ser trabalhada, “O Sol É Para Todos” é livro obrigatório na estante de qualquer apreciador da literatura americana contemporânea. Mais que isso, aos amantes de uma boa história que vá além do mais-do-mesmo que muitos livros apresentam, Harper Lee nos presenteou com essa obra brilhante que rapidamente se consagrou como clássico da literatura americana moderna, sendo vencedor do Prêmio Pulitzer dentro da categoria de ficção um ano após sua publicação. Recomendadíssimo, para todas as idades.

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8 comentários em “Livro: O sol é para todos (resenha)

  1. A história parece ser intensa e leve, pesada e tranquila ao mesmo tempo, ou pelo menos essa foi a impressão que eu tive lendo o seu texto. Eu gosto muito de obras que abordam essa questão complicada que é o racismo – e principalmente as que a abordam em períodos nos quais ser negro era muito difícil. Eu acho que um autor que consegue escrever bem sobre a questão sem passar mensagem nem preconceituosa e nem falsamente moralista merece respeito. Vou colocar o livro na minha lista de leituras.

    1. É exatamente isso que o Lee faz, ele narra a história sem se posicionar acerca do que está sendo narrado. Ele deixa pro leitor essa tarefa de formar o próprio julgamento sobre o caso. Leia, quando tiver tempo, depois venha comentar comigo.

  2. Meu deus, quando comecei a ler o texto pensei: “preciso baixar isso”, mas no final já estava mais para “preciso comprar esse livro!”, porque deve ser apaixonante da mesma forma como você fala dele.

    1. É lindo demais, baixe, compre, leia de alguma forma HAHAH E eu pareço muito boba falando do livro, porque é meu amorzinho dentre tantos outros amores, mas realmente vale a pena a leitura.

  3. Sempre fico toda <33 quando tu fala dos livros que teus pais tem.

    A coisa que mais me chamou atenção na resenha foi o fato do livro ser atemporal. Pra mim, um livro bom é aquele que é bom, faz sentido e ensina algo independente de quando foi lido e por quem. Algumas pessoas absorvem poucas coisas, outras muitas, mas se o livro é realmente bom, ele vai ser sempre bom.
    Fiquei com muita vontade de ler por isso, e por ser tão leve e agradável assim, mas ao mesmo tempo tratar de questões sérias e importantes.
    Mais um pra lista x.x

    1. Adicione mesmo, porque tu vai curtir, certeza HAHAH E quanto aos livros que meus pais tem, ainda vou providenciar fotos pra ilustrar isso…………………..

      E nossa, livros atemporais, tu tocou no ponto. São os que mais me tocam, acho ;; porque alguém que é capaz de escrever sobre um tema que continuará vivo mesmo depois de anos da publicação do livro merece demais meu respeito. Mesmo que nem faça ideia disso enquanto escreva HAHAH
      Enfim, espero muito que tu curta quando conseguir tempo pra ler!! *-*

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