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Filme: Monster – Desejo Assassino (resenha)

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Título: Monster (Monster – Desejo Assassino);
direção e roteiro: Patty Jenkins;
elenco: Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Lee Tergesen;
ano: 2003; duração: 109 minutos; país: Estados Unidos.

Um monstro? Ou talvez só um ser humano?

Talvez eu não cause uma boa primeira impressão, mas essa é uma verdade: serial killers me fascinam. Até hoje não consigo explicar exatamente o porquê, mas eu poderia passar horas na 25th Street em Milwaukee lendo Helter Skelter sem parar. Gosto de assassinos em série com histórias de vida tão intrigantes e macabras quanto seus crimes, gosto dessa tempestade psicológica que só eles conseguem entender.

Isso só ilustra como eu me senti ao ficar sabendo de Monster, mesmo muito tempo depois de seu lançamento, e a satisfação por ter descoberto um filme incrível.

O filme tem Aileen Wuornos como personagem principal, interpretada magistralmente por Charlize Theron. É a história de uma prostituta com traumas de infância, sem nenhuma perspectiva na vida. Ela conhece, então, Selby Wall (Christina Ricci), se apaixona pela garota e faz de tudo para agradá-la. O filme traz desde o início de sua relação com Selby, passando pelos crimes e seus motivos, e tendo sua prisão como desfecho. Não é spoiler, são os fatos, o incrível do filme está em como tudo isso se desdobra.

O filme é mais uma adaptação, o nome da verdadeira companheira de Aileen era Tyria Moore, e suas descrições e participações nos crimes se diferenciam muito do que foi mostrado no filme. Jenkins teve que criar Selby para poder cobrir essa lacuna que a não permissão de direitos de imagem de Tyria abriram.

Particularmente, acho um pouco perigosa a maneira como ambas e sua relação foram retratadas no filme. Aileen foi extremamente humanizada, eu consegui entendê-la, eu comprei todos os seus motivos para matar. Eu odiei Selby, odiei a forma como ela agiu com Aileen, eu a culpei por tudo até o fim. E depois eu parei para comparar a história real que eu conhecia com o filme, e percebi que são duas coisas distintas.
Jenkins tentou demonstrar o lado monstro de Aileen em diálogos onde ela estava fora de si, agindo como um animal enjaulado, bradando aos sete ventos que não via problema algum em matar. Mas, para mim, o lado humano sobressaiu. O lado da criança abusada que se transformou em uma mulher assassina porque a vida não lhe deu outra escolha.
Há um momento no filme que, admito, um nó enorme se formou na minha garganta. De pena. Eu tive que engolir em seco para não começar a chorar por ela.

O filme é focado somente no desenrolar da vida da assassina, não espere ver participação da polícia e crimes sendo desvendados, não é sobre isso que se trata. É despejada uma realidade triste, com cenas um tanto fortes, um ambiente extremamente pesado. Não tenho certeza se todos se sentiriam à vontade assistindo, mas quem gosta do tema com certeza iria se arrepiar com a personalidade gritante que a assassina tem.

Preciso fazer uma menção honrosa à Charlize Theron: que atriz! Ela foi o filme, basicamente. Sou muito suspeita para falar dela – é uma das minhas atrizes favoritas na atualidade –, mas é de aplaudir de pé dez vezes o que essa mulher fez com essa personagem. Não poderia merecer menos o Oscar que ganhou por ela.
Claro, a maquiagem e toda a preparação visual – absurdamente impressionante, diga-se – feita na atriz ajudaram a dar mais realidade, mas Charlize fez um trabalho de mestre, algo que poucos conseguem. Ela foi a Aileen perfeita. O jeito de se portar, de falar, de sorrir. Os olhos e a expressão de fúria que eram como marcas da assassina são tão reais que em certos momentos eu cheguei a me perguntar se era possível que aquilo fosse, na realidade, um documentário e que não era a Charlize ali, e sim a verdadeira Aileen.

Avaliação: 5 xícaras (5/5)

Monster traça um paralelo muito subjetivo entre o monstro e o humano. Mostrando a união entre os dois e forçando quem assiste a se posicionar, a usar um como justificativa para o outro.
Faz qualquer um entender uma assassina em série.

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7 comentários em “Filme: Monster – Desejo Assassino (resenha)

  1. Me deixou morrendo de vontade de ver esse filme. Eu entendo perfeitamente esse fascínio por serial killers, porque sinto a mesma coisa por qualquer filme, livro, série que trate do assunto. Vou baixar o filme ainda hoje.

  2. Só senti ainda mais vontade de ver esse filme do que eu tinha (ou talvez agora, de fato, tenha sentido vontade). Incrível um filme de serial killer abordar mais o lado psicológico do que o policial, fui conquistada mais por isso, confesso. Procurando links por torrent desde já!

    1. Isso foi o que eu mais gostei. Brocho muito quando vou assistir um filme sobre um assassino real e só aparece o detetive desvendando os casos. É terrível pra quem gosta do tema! Procura e depois me fala o que achaste.

  3. Tenho certeza que eu não assistiria ao filme sozinha (sou muito, muito bundona), mas que me matou de vontade, matou. Acho que explorar o lado psicológico de um serial killer, por mais batido que possa soar, tem um potencial gigante pra dar uma baita história. E quando é com uma boa atuação, como a que você citou, então… Deve ser mesmo arrepiante. Sua resenha me deixou cheia de vontade e de perguntas sobre o filme, parabéns u_u agora você pode vir até aqui assistir comigo, porque a culpa é toda sua.

    1. O filme se diferencia muito por não explorar graficamente os crimes, e sim focar na Aileen e na vida e personalidade dela. É algo que é muito raro de ver em filmes com esse tema.
      Olhasó a chantagem u.u mas quem sabe eu vou e

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