23fev 2014

Filme: 12 Anos de Escravidão (resenha)

Postado por às em Especiais, Filmes

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Título: 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
Direção: Steve McQueen; roteiro: John Ridley, Solomon Northup.
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Benedict Cumberbatch, Brad Pitt, Lupita Nyong’o, Michael Fassbender, Paul Dano, Paul Giamatti, Sarah Paulson, Alfre Woodard.
Ano: 2013; duração: 135 minutos; país: Estados Unidos.
Gênero: drama, biografia, história.

“Eu não quero sobreviver, eu quero viver”

 Nesse segundo post sobre os filmes do Oscar indicados a melhor filme, fiz de “12 Anos de Escravidão” a minha escolha. Por mais difícil que seja, ainda não quero revelar os meus preferidos ao prêmio de melhor filme deste ano, mas as categorias a que o filme de Steve McQueen concorrem já diz muita coisa.

Ao todo, “12 Anos de Escravidão” concorre a nove categorias do Oscar 2014: melhor filme, direção (Steve McQueen), melhor ator (Chiwetel Ejifor), melhor ator coadjuvante (Michael Fassbender), atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o), melhor roteiro adaptado (John Ridley), melhor montagem (Joe Walker), melhor design de produção e melhor figurino. Além disso, o filme já conta com um número impressionante de 383 indicações e, até agora, 201 prêmios, incluindo os do BAFTA e Globo de Ouro (ambos vencendo a categoria de melhor filme).

O filme é adaptação da autobiografia de 1853 de Solomon Northup (Chiwetel Ejifor), um negro livre de Nova Iorque que é sequestrado em Washington em 1841 e vendido com escravo. Ao longo do filme, acompanhamos a história de um homem que luta por sua liberdade, por sua decência e, principalmente, por sua vida.

Preciso confessar que, quando me deparei com “12 Anos de Escravidão” para assistir, não fazia ideia sobre o que se tratava e torci o nariz quando vi que o filme tinha a direção do artista plástico Steve McQueen, que não lançou muitos longas, mas seu Shame não me desceu tão bem quanto pareceu descer para tantas outras pessoas. O que quero dizer é que, se esperava alguma coisa do filme, esperava muito pouco, quase nada, esperava que todo o estardalhaço feito nas premiações não passasse disso: um estardalhaço. Acho que minha própria escolha desse filme para resenhar consegue mostrar o quão errada eu estava.

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12 Anos de Escravidão” não é só mais uma história trágica situada nos Estados Unidos, não é só um filme com uma fotografia impecável, digna de fazer inveja a qualquer um, de conseguir deixar meu queixo caído, não é só um filme com bons atores e um diretor que já ganhou o seu espaço na academia; mas sim um filme que é uma mistura de emoções e sensações à flor da pele. Eu não consegui imaginar o que aconteceu com Solomon acontecendo comigo, mas senti o que ele sentiu, me vi nos seus gestos, nas suas falas, em cada alegria e em cada dor, em cada decepção e em cada traição, e tive raiva de tempos que não voltam, mas que são refletidos como se, de tempos em tempos, o próprio tempo pudesse se curvar e algum passado pudesse se enxergar em algum presente ou futuro e vice-versa.

Esse é o tipo de filme que se assiste e se quer assistir de novo ao mesmo tempo em que não, não dá para assistir de novo e passar por essa montanha-russa de emoções. Mas vale, vale cada segundo, cada detalhe, cada cena e cada diálogo.

Jamais pensei que me imaginaria na pele de um homem que tem sua liberdade arrancada, que sente que até o fato de ser alfabetizado pode ameaçar a sua vida, de um homem que “não quer sobreviver”, não quer o momento de crise, lutar por sua própria vida, por sua sanidade, por sua decência, mas quer viver, viver em toda a plenitude que é viver, usufruir do que a vida pode lhe oferecer de bom.

Acho que me sinto no dever de dizer que eu não assisti a esse filme, mas me apaixonei por ele.

Avaliação: 5 xicaras (5/5)

Um filme que todos deveriam assistir e um dos favoritos ao prêmio de melhor filme.

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